terça-feira, 29 de outubro de 2013

Legendary Lou

Apesar de sempre escutar todos os seus filhos, admito que meu contato com Lou Reed foi um pouco tardio. Era 2007, quando estava ensinando meu pai a ‘ripar’ CD’s para o computador (em um passado não tão distante no interior, onde a velocidade da internet colaborava pouquíssimo para downloads), e resolvi testar com um CD em que eu não conhecesse. Dentre aqueles vários discos ali, um me chamou atenção para ser o ‘cobaia’ : era New York, do Lou Reed. É claro que eu já havia ouvido falar de sua obra (afinal, não há como ser fanático por Jesus And Mary Chain sem ouvir falar em Velvet Underground), mas nunca havia me despertado a curiosidade. Porém, a partir da primeira faixa (Romeo Had Juliette), vi que seria arrebatado para sempre pelo som de Reed.
Desde então, pouco a pouco fui me tornando mais um fã do trabalho de Lou e, fazendo o caminho contrário, descobri o ‘Disco da Banana’. Era como se meu conhecimento musical estivesse expandindo para uma dimensão que eu jamais esperava; junto com a paixão pelo Velvet, veio de vez meu amor pela Música. Em um mundo tão saturado de Beatles, Doors e Led Zeppelin (que de forma alguma são ruins, pelo contrário), estava diante de meus olhos toda uma vertente que parecia dar sentido a todas as noites passadas em claro assistindo MTV. Finalmente havia encontrado a raiz de todas as bandas que eu gostava. E assim foi com White Light/White Heat, Velvet Underground (1969) e Loaded. Sonic Youth e Jesus agora faziam muito mais sentido para mim.
De toda forma, não conseguia ver o Velvet sem enxergar por trás a genialidade de Reed. Sei que Moe Tucker, Sterling Morrison e principalmente (enfoque nesse ‘principalmente’) John Cale tinham suas peculiaridades, mas a minha paixão por Reed ia além de seu trabalho como canalizador do Underground em forma de música. Sentia, pelo Velvet, que ele tinha muito mais a falar. E, retornando pela forma de como eu conheci, explorei sua carreira solo, sem me prender a New York e Transformer. E assim, conheci Berlin.
Admito que muito de minha curiosidade de Berlin foi devida à paixão de Ian Curtis pelo disco (assim como pelo The Idiot, do Iggy Pop), mas quando percebi, estava totalmente mergulhado no universo de Jim e Caroline. Simplesmente perdi as contas de quantos sábados passei em casa ouvindo Berlin no repeat, acompanhando todos os acontecimentos, as desgraças, as pílulas, os two-bit friends de Jim, a separação, as crianças, o frio, os desastres...e  sim, até hoje eu devo chorar se ouvir The Kids atentamente. Berlin faz qualquer álbum do The Cure parecer piada para adolescentes chorões e cortadores de pulsos. Além de tudo, me fascinava a facilidade que Lou Reed tinha para reciclar suas próprias músicas (Berlin foi criado a partir de várias sobras do Velvet), e transformá-las em um dos Opera Rock mais lindos que já existiu.

Poderia citar álbum por álbum de sua carreira solo, ou então destrinchar cada disco do Velvet, mas creio que isso não é necessário. Lou Reed é lenda por si só. E talvez mais um deslocado em um mundo que definitivamente não foi feito para aceitá-lo. Sempre notei, ao ouvir discos como The Blue Mask ou Legendary Hearts, que tinha a impressão que Lou Reed cantava sozinho, como um trovador de uma cidade solitária. Contudo, mesmo se considerando um Average Guy, Reed nunca teve medo de se sentir livre. E de fato, era livre. Não teve medo de fracassos comerciais, não teve medo de casar durante anos com um travesti, não teve medo de sair da proteção de Andy Warhol, não teve medo de mostrar ao mundo a New York que os filmes e os Eua sempre tentaram esconder. Reed escrachava, por meio de suas letras, a falsa idéia de ‘Sonho Americano’, que tentam cuspir em nossa cara desde que nascemos. Não poderia ser diferente, de alguém que veio do Brooklyn.
A perda de Lou Reed não foi apenas uma perda para fãs de Velvet e de sua obra em particular. Foi-se embora um dos maiores mitos da música, que demonstrou infinitas possibilidades frente a um cenário musical que se via preso em “eu quero pegar na sua mão”, ou “surfar é bom demais”. Reed abriu caminho para toda uma geração – de Bowie a Nirvana, de Iggy Pop a Sonic Youth, de Jesus and Mary Chain a Strokes. E este legado se estenderá por muitos e muitos anos, enquanto existirem cópias de Velvet Underground and Nico neste mundo.

Ps. Quando o Morrissey morrer, talvez seja melhor nem me avisarem.  


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Maestro do Canão

Primariamente, sou defensor da ideia de que quem gosta de música deve conhecer todos os gêneros. Digo isso em relação aos roqueiros ortodoxos, que ficam presos ao estilo, perdendo a oportunidade de ouvir muita música boa de outros estilos. Nessa mesma linha de pensamento, admito que sempre achei o Rap muito interessante, especialmente o aspecto crítico/sociológico que as letras carregam (pelo menos do "bom rap", ao contrário de vários rappers que só sabem cantar músicas que ostentam riqueza). Assim, sempre gostei bastante de Public Enemy, Run DMC, Beastie Boys (R.I.P MCA) e é claro, Sabotage.


Enfim, poderia escrever linhas e linhas falando sobre a morte de Sabotage, a produção de seu filme, os filmes que o Rapper participou, o absurdo que foi seu assassinato, mas como isso (ainda) é um blog de música , vamos falar sobre a métrica e conteúdo de suas letras, e o legado que o rapper deixou. O "Maestro do Canão" tinha um modo único de compor, onde usava poucas conjunções em suas frases, além de rimar palavras com palavras diretamente, não se prendendo muito ao estilo "rima somente ao final de estrofe". Ex:

Verdade Brown o gosto tá cruel o crime não é mel
O medo vem do céu como foi cruel
 De arrec-cléu click-cléu o povo é algo fel  (Mun-rá)

Seu único álbum lançado, Rap é Compromisso (2001), indica certa maturidade para o cenário de Rap nacional, vez que não falava sobre prisão, tráfico e demais rótulos que infelizmente (e também erroneamente) são atribuídos ao rap, mas dizia sobre libertação - e libertação pelo rap! Em várias músicas, Sabotage deixa claro que a criminalidade não compensa, e pauta pela construção de uma comunidade melhor. Na faixa-título Rap é Compromisso, Sabotage conta a história de um criminoso, e todas as mazelas qual o mesmo se passava. O nome se tornou um jargão entre fãs de rap (assim como "Respeito é pra quem tem")


Não só versando sobre sua libertação do crime pelo rap, o rapper também denuncia alguns episódios de agressão pela polícia, e como as pessoas de situação financeira desfavorável são vistas pelo Estado. Além disso, em Cocaína o rapper diz sobre os perigos da droga. Ao todo, o autor utiliza de assuntos realmente relevantes, de modo que as suas rimas não só sejam combinações tônicas, mas também que toquem o ouvinte, seja pela beleza da métrica, seja pelo conteúdo da letra.

Hoje, completando 10 anos de sua morte, o cenário do rap nacional lamenta sua falta. Vemos em ascensão Emicida, Criolo, dentre outros, e podemos ver claramente a influência do senhor do Canão. Se o rap nacional hoje é visto de outro modo, muito disso é devido ao trabalho de Sabotage (e Racionais também, é claro). Por mais que isso pareça clichê, Sabotage ainda vive no rap, e ainda viverá por muitos anos, como um dos ícones e um exemplo a ser seguido. O rapper mesmo no auge não fugiu de suas origens, mantendo sua humildade e a preocupação em deixar o lugar onde morava melhor - mesmo com sua única arma, o rap.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Releituras

Já deve ter um tempo considerável que eu não posto nada aqui (o que não significa que estou ouvindo pouca música, porque deve ser uma das poucas coisas que ainda me sobram tempo para fazer, já que dá para ouvir executando outra tarefa), mas aproveitar esse tempinho aqui para falar um pouco sobre releituras de músicas.

Sempre gostei muito de releituras e versões novas de músicas que já conheço, principalmente porque costumo enjoar das versões originais. The Cure mesmo é um ótimo exemplo disso, ouvi tanto na minha adolescência que atualmente só consigo escutar as versões demos, algum bootleg de boa qualidade ou alguma releitura de suas músicas. A releitura é interessante pois a partir dela percebemos como outro artista enxerga a música, o que gostaria de mudar, apresentar um novo foco sobre a música, dentre outros fatores.

Acidentalmente, encontrei uma releitura completa de um de meus álbuns favoritos de Brian Eno: Taking Tiger Mountain (by Strategy), regravado por Hilsinger & Beatty. Como a primeira música que eu ouvi foi The True Wheel - minha favorita do disco, a princípio não gostei muito, pois soou um pouco bizarro e o riff hipnotizante do final da música parecia um pouco morto. Entretanto, depois descobri que se tratava de uma releitura de todo o álbum, e assim as coisas começaram a fazer mais sentido, já que a releitura seguia uma certa "lógica".

Apresentar uma proposta nova dentro dos trabalhos iniciais de Eno é uma tarefa um pouco difícil, já que os álbuns em si são uma nova proposta para a música.Entretanto, Hilsinger e Beatty conseguem fazer novas canções realmente cativantes, de modo que uma voz feminina pudesse se encaixar no meio dos sons produzidos por sintetizadores. O trabalho foi elogiado pelo próprio Brian Eno.


E hoje mesmo acabei lembrando que Beck em 2009 estava fazendo o mesmo com o Velvet Underground And Nico, uma tarefa bem mais audaciosa. Consegui entender a proposta de Beck, de fazer algo experimental, mas acho que ele poderia produzir um trabalho ainda mais consistente. Senti falta de algumas "camadas" em determinadas músicas; deu a entender que ele ficou com preguiça de fazer os instrumentos necessários e chutou o balde. Mesmo assim, merece um certo destaque. Se fosse fácil fazer igual ao lendário disco da banana, haveriam várias bandas iguais.

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[momento esquecimento]

Esqueci de comentar que fui ao show de Bob Dylan. Já não esperava que seria um show bom, afinal, ele está velho, sem voz, e é do tipo de músico marrento que não canta as músicas antigas em um show. Bom, foi pior do que eu pensava. A melhor parte do show simplesmente é ver o Bob Dylan, para depois contar aos amigos, filhos, netos, etc que foi ao show de uma lenda do rock. Sua voz está beeeeeem ruim, e não tem nada de cativante em seu concerto. O único momento empolgante foi quando ele tocou Like a Rolling Stone, mas não porque ele cantou - ele não cantou - e sim porque a plateia foi a loucura, berrando o refrão como se fosse a última frase a ser dita na vida. Gosto muito de Dylan, sou um dos que defendem sua imprescindibilidade na história do rock, mas não vou ser hipócrita de dizer que foi um show maravilhoso e mágico.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Dicas para feriado

Antes de postar assim, eu já tinha escrito 70% de um post ensinando 'como apresentar uma banda a alguém', mas achei o conteúdo extremamente fraco, e resolvi mudar de assunto. Não nego que quando penso em música, não consigo imaginar muita coisa a não ser "Mês que vem tem show do Morrissey", mas vou deixar para falar disso depois que assistir o show.

[Tentei escrever algo sobre o carnaval, mas não saiu nada também, até porque eu não gosto muito dessa data e não conseguiria escrever nada que não ridicularizasse a data]

Bom, tudo bem se eu não escrever nada, né? De quebra, vou indicar 3 discos interessantes para se escutar até o fim da semana, de acordo com o meu padrão sinestésico de música/cor:

Verde:   Marvin Gaye - What's Going On. Quando escutei esse a primeira vez, acho que ouvi mais umas 4 vezes seguidas, de tanto que achei sensacional. As letras também são muito boas, aquela coisa meio 'quê que tá havendo com o mundo', saca? World Music de primeira.

Cinza: Nico - Chelsea Girl. Bem tranquilo, com a voz maravilhosa de Nico. Ideal para a quarta-feira de cinzas mesmo, deitar e pensar na vida. These Days é a música.

'Mármore' (essa cor existe?): Jesus And Mary Chain - Automatic.  Baterias eletrônicas mega-datadas, guitarras afiadas, a voz distorcida de Jim Reid. Nocie Pop para quem quer ouvir um pop de qualidade, mas com uma pequena pitada de agressividade.







quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Cereja do Bolo

Lembro que antigamente eu costumava dizer que a garota perfeita seria aquela que ouvisse Jesus And Mary Chain. É claro que, com o passar do tempo, eu vi que ninguém escuta JAMC (e por isso não há garotas perfeitas!), e comecei a estender a perfeição a garotas que ouvissem My Bloody Valentine. É óbvio que piorou, mas é somente uma brincadeira. Sei que, ultimamente, a garota perfeita pode se inserir também na categoria 'Escuta Sarah Records'.

Mês passado, me apresentaram à Sarah Records. Admito que nunca fui um fã de música muito preso à selos musicais, apesar de implicitamente entender a tendência da maioria deles, ou saber quais bandas pertencem à determinados selos, etc. Mas a Sarah... acho que foi amor à primeira vista, quer dizer, escutada. Parece até coisa de outro mundo imaginar que existiu uma gravadora entre 87 e 95 que produziu 100 singles da maneira mais pura do mundo.... é como se existisse uma gravadora que desse continuidade ao C-86 de maneira quase secreta até aos olhos dos amantes do estilo, e aparecesse agora. Quando eu ouvi pela primeira vez, o que eu pensei na hora foi exatamente "por que eu não conheci isso antes"?

É difícil bandas saberem fazer canções sobre inocência adulta, sem que soe retardado (vide a maioria das canções).  Mas as bandas da Sarah conseguem fazer isso com perfeição. Another Sunny Day, Sea Urchins, Brighter.... é como eu sempre digo: atrás das paredes de som, há uma proposta extremamente pop, uma tentativa de mudar o que escutamos nas rádios por algo mais divertido e até mais suave, apesar dos 'fuzzes'. Através dos singles, podemos perceber claramente as influências e o cenário musical na inglaterra na virada dos anos 80/90. O Jesus And Mary Chain com seu PsychoCandy abriu portas para outras bandas que jamais sonhariam em fazer sucesso com um pop barulhento, ou qualquer coisa que soasse alternativo, enquanto que as melodias e as letras dos Smiths encorajavam as bandas a tratarem de novos temas em suas canções.

Para o pessoal que não viveu a época (tanto quem não viveu na Inglaterra, até como para pessoas que nem nascidas nessa época eram, como eu mesmo) é um pouco difícil de entender o contexto, principalmente porque estamos acostumados a ver o produto da 'geração alternativa' (isto é, a explosão do Nirvana e todos os discos míticos de 91). Mas é legal observar como surgiam bandas rapidamente na Inglaterra, mesmo com o boom do dance e do house. Enquanto a Creation estava preocupada com a sua Haçienda e os Happy Mondays da vida, Sarah lançava pequenos compactos, de bandas que nunca serão ao menos reconhecidas. Dos singles que escutei, não teve um que eu possa ter julgado como ruim, e é engraçado porque não soam tampouco repetitivos, mesmo com a limitação toda. A verdade é que não é tão simples assim sair fazendo wall of sounds, tem uma certa 'lógica' no fundo das canções.

Para um fã da C-86 e da indie music (de verdade) como eu, é uma satisfação imensa saber que houve algo como a Sarah Records. E o mais interessante foi o fato de terminarem após o lançamento de 100 singles, com os dizeres:

"a day for destroying things...

... because when you were nineteen

didn't YOU ever want to create something beautiful and pure
just so that one day you could set it on fire
and then watch the city light up as it burned?
Didn't you want to do that every day of your life?

Nothing should be forever.
Bands should do one single and then split-up,
fanzines finish after one flawless issue,
lovers leave in the rain at 5am and never be seen again -

Habit and fear of change are the worst reasons for ever doing ANYTHING.

Stopping a record-label after 100 perfect releases
is the most gorgeous pop art-statement ever
and says more about pop-music than any two-part digipak
limited-edition coloured-vinyl 7"
grimly authentic lo-fi ten-track EP
(or any other marketing gimmick)
ever will.


Sarah Records is owned by no-one but us,
so it's OURS to create and destroy how we want
and we don't do encores.

We want to burn in bright colours and go pop,
to be giddy, impulsive and silly,
to kiss people in new places -
EXQUISITELY
- and dare to tear things apart.

The first act of revolution is destruction
and the first thing to destroy is THE PAST.
scary
like falling in love
it reminds us we're alive

Sarah Records 1987 - 1995"



Isso é tão.... the pains of being pure at heart, não é mesmo? O mundo anda tão corrompido, com gustavo lima e você que o próprio pessoal da Sarah Records previu isso e preferiu parar com tudo, antes que a própria Sarah se corrompesse. Quem sabe um dia, como diria o breno, as pontes de Bristol voltem a brilhar e haja algo parecido com a Sarah Records!


baixe singles da sarah records em www.amorloucobr.blogspot.com (que por sinal, é um blog excelente!!!)


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[momento você deveria ouvir....]

A Coletânea Não São Paulo I, de 1987!

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Próximo Post: BOB MARLEY!!!!!


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UMF 2011

Sei que já está um pouquinho tarde para escrever sobre o UMF, principalmente porque a maioria das matérias saíram no dia mesmo. A diferença é que o pessoal ganha pra ficar escrevendo e trabalha com isso, e eu não! Assim, vou escrever hoje mesmo, que foi quando sobrou um tempinho para falar sobre.

De festivais de música eletrônica, o máximo que eu já tinha chegado perto é dessas festas que começam normal e terminam em rave (Isto é, na minha cidade natal são as típicas festas que dizem ser de rock, você chega lá encontra uma micareta danada e no final todo mundo louco pagando de trancer na pista). Ano passado eu quase animei ir na tal da Playground por causa dos brinquedos, e ainda bem que não fui porque descobri depois que tinha no máximo uns 4, e dos muito toscos. Assim, Lá fui eu, totalmente inexperiente no maior festival de música eletrônica do Brasil.

É claro que eu só estava indo para ver o New Order. Nem conhecia direito o resto das bandas ou DJ's, e pouco me importava quem estaria lá. Como fã de N.O. e Joy Division, seria muito difícil que qualquer nome no line up do festival não passasse por mim como irrelevante. Entretanto, já que eu estava lá, seria uma boa hora para entender como funcionam esses festivais, a lógica, orgnanização, público, etc. Vamos lá:

* Local:    Sambódromo do Anhembi. Localização ótima, perto da rodoviária, em um lugar asfaltado, impossibilitando lamaçal. No início tive algumas dúvidas sobre a acústica do local, sobre a alocação de pessoas na hora dos shows, etc. Mas correu até tudo bem. A organização foi impecável. Distribuíram porta bitucas, colocaram um grupo de pessoas à disposição para mostrar o processo de reciclagem dos lixos, além de coleta seletiva. Nem precisa dizer que pareceu muito mais sustentável que o SWU, né. Falando nisso, os preços não estavam tão abusivos (sempre são, né, mas pelo menos estavam a nível de festival mesmo). Disponibilizaram algumas cadeiras para o pessoal sentar, o que foi uma boa na hora de comer, porque ninguém aguenta ir em um festival e até na hora de comer ficar em pé.
Os palcos ficaram organizadinhos,  telões bacanas, etc. Não vi nada a respeito, mas desconfio que o pessoal do Planeta Terra Festival esteve envolvido na organização. Foi bem o estilinho.

* Público:   Altamente variado. Como sempre, tinham os metidos a moderninhos e pagantes de alternativos, que demoram 19 horas só para escolher a camisa que vão ao festival. O pessoal que queria ver o New Order geralmente era mais velho e mais sério. No mais, um público muito bonito e produzido, que foi para ver o show dos DJ's. Nas área vip, riquinhos paulistas e 'vips' esbanjando ... mediocridade. (É claro que não dá pra generalizar)

* Shows:

Copacabana Club: Acho que essa banda está cada vez melhor. Pena que foi a primeira banda a tocar, então não tinha um público muito grande. Gostei mais ainda desse show do que a primeira vez que os assisti, aqui em Belo Horizonte (até porque não teve problemas de som como houve na última vez).Acredito que daqui um tempo terão uma projeção ainda maior, principalmente por causa do pessoal da banda, que parecem ser muito simpáticos

Soulwax: Um eletrônico beem agressivão, curti. Lembro que antes do show começar, eu disse que "ia pular para não estressar ao esperar o New Order", mas acabei pulando de verdade. O pessoal sabe fazer som pesado com sintetizadores, pesado ao ponto de até incomodar, algumas vezes. O único problema é que as músicas soavam muito parecidas. Se for para fazer algo parecido, deveriam ser mais minimalistas, soaria melhor. Mas mesmo assim, gostei muito e quero até ouvir melhor posteriormente.

New Order: bom, para escrever sobre o new order, preciso separar meu eu crítico em 2.

1- Como fã de Joy Division: Fantástico, vi 2 dos membros da formação original da banda, tocaram Ceremony, uma das últimas músicas do Joy. Uma pena Peter Hook não estar mais na banda, e eu não ter visto Stephen Morris passear no meio do povo antes do show começar, acho que até infartaria.

2- Como fã de New Order:  Simplesmente um desrespeito com os fãs. Primeiramente, por saírem anunciando por aí que New Order seria uma das atrações principais. Não foi nem longe disso, a banda tocou como uma iniciante, 'abrindo' show para DJ's que na maioria nem tem música própria direito. Isso é quase inconcebível  dentro do mundo da música eletrônica. Depois, que os roadies e a organização demoraram um tempão para arrumar os equipamentos em cima do palco, e ainda por cima fizeram tudo errado. Quando  tocaram 'crystal', não deu para ouvir nem a voz de Sumner direito. Aos poucos, foram organizando o som, até porque a banda reclamava em cada intervalo... Gillian Gilbert, multiinstrumentista  que voltou pra banda, fez questão de manter seu jeitinho blasé e nem cumprimentar a plateia, que berrava seu nome. Quanta chatice. Até Jim Reid deu um tchauzinho, quando veio em 2008 no brasil com o JAMC...
Enfim, eu esperava pelo menos 15 músicas, e eles tocaram 9. Tudo bem, que tocaram os sucessos e tal, mas não vingou. No momento que saíram do palco, pensei na hora "aaah, vão voltar e tocar Love Will Tear Us Apart", mas nada. Foram embora e nem voltaram. Para quem viajou 500km pra ver só uma banda, foi um pouco decepcionante.

Death From Above 1979: Apesar de ser uma banda famosinha no meio alternativo, nunca tinha escutado antes. O máximo que eu conhecia era a citação da música do CSS (ótima música, por sinal). Mas, sinceramente, achei MUITO RUIM. Deu a impressão que são dois malucos que não sabem tocar nada e tentam ser os novos sonic youth fazendo barulhos sem sentido e sem um pingo de harmonia musical. Péssimo, péssimo. Nem mesmo a presença de Igor Cavalera no finalzinho me fez trocar de opinião. Não consegui nem assistir o show todo, de tanto que eu achei fraquinho. Aliás, estou cansado dessa mania que o pessoal está de fazer esse tipo de banda (faltando instrumento, tipo kills, white stripes, etc), somente alguns tem o dom e a verdade é que DFA1979 não tem. Coitados.

Dj's em geral: mesma coisa de sempre, mas pelo menos têm um gosto melhorado para samplear, o que faz um pouco de diferença na pista. Você realmente sente vontade de dançar, é uma espécie de lavagem cerebral. Quem toma doce para 'ficar doidão' nesses eventos particularmente vacila muito, porque a própria frequência da música já te deixa um pouquinho alterado (falo isso porque nem bebo e com 15 minutinhos já fico dançando que nem a maioria da galera que está Loaded).

Swedish House Mafia: Sobre esse trio de Dj's, tenho que escrever separadamente, porque realmente me chamaram a atenção. Sobre house music (O QUE CHAMAM HOJE DE HOUSE MUSIC NÉ, porque a impressão que se tem é que a clássica batida 4/4 da música eletrônica se corrompeu em um bate-estaca chato, na maioria das vezes), não entendo muita coisa, porém fiquei pasmo com o tanto que a galera pira nos caras. As músicas nem começavam, e o pessoal já estava berrando que nem malucos (a última vez que eu vi isso foi no show do radiohead). Tudo bem que metade das músicas eram versões remix de outros cantores, mas o ritmo era até bom. Na verdade, me senti agraciado por ver DJ's tão bons no primeiro festival de música eletrônica que eu fui. Aposto que 80% dessa galerinha aí que se acha a 'turma da rave', não conhecem Dj's realmente bons.

* Atmosphere:  A melhor possível. Galera alegre, feliz, pulando de um lado pro outro (com exceção dos moderninhos né) e a grande diferença do festival: mesmo sendo de música eletrônica, luzes, e tudo o mais, não tinha a tal da 'pegação'. Acho que se a maioria dos festivais de música eletrônica e afins fossem nesses moldes, provavelmente eu seria uma pessoa mais sociável, hahaaha. Admito que me deu até vontade de ir no UMF 2012, caso tenha. Mas dessa vez, que pelo menos sejam sinceros e não anunciem bandas que tocarão normalmente como headliners, ou então que não podem totalmente o show destas.

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Próximo post ou eu devo escrever sobre sertanejo universitário, ou sobre a Sarah Records (minha paixão instantânea) ou sobre os dois, sei lá.






domingo, 20 de novembro de 2011

Balanço Geral SWU dia 14/11

É muito difícil fazer um 'relatório completo sobre o SWU dia 14/11'. E é por isso que EU NÃO VOU FAZER ISSO, mas vou pontuar algumas coisas sobre o evento, desde a excursão até os shows que eu assisti.


Sobre a excursão:

Fiquei muito satisfeito com a UFMG rock. Para ser sincero, foi a primeira vez que eu fui para um show em um ônibus decente, de modo que eu conseguisse dormir que nem gente e de maneira confortável. No início, eu pensei que a viagem seria chata, porque no meu ônibus parecia que só tinha metaleiro (tive certeza depois que colocaram o dvd do Dio para rodar), mas como eu dormi, nem vi o que aconteceu. Cheguei em Paulínia totalmente revigorado, porque consegui fazer uma boa viagem. Lembro que no planeta terra 2010 eu já cheguei morto por causa do ônibus (tanto que no final eu já estava mais exausto do que tudo). O único vacilo que eu cometi foi de não pedir no dia do pagamento da excursão para ir no mesmo ônibus que meu amigo (Loro), o que foi ruim e bom ao mesmo tempo. bom porque se nós tivéssemos no mesmo ônibus, iríamos conversar a viagem inteira.

Sobre os shows e o evento em si:

Muito grandinho o lugar, né. Isso foi legal, porque deu para distribuir bem todas as coisas que o evento comportaria. Os únicos problemas foram a demora na entrada (que me fez perder o show todo dos Raimundos), a chuva (que querendo ou não, é culpa dos organizadores, já que essa época do ano chove sempre) e o lamaçal (não lavei meu tênis até agora, coitado). Sobre a chuva, eu tentei comprar uma capinha para disfarçar, mas nem adiantou muito, já que choveu o dia inteiro e a capa não cobre a perna toda. A jogada de mestre verdadeira foi a dica que o Marcelo Rodarte me deu de colocar uma sacola no tênis. Aí, pelo menos, meus pés ficaram ilesos e aguentaram todo o festival.

Creio que me surpreendi em todos os shows. Como disse, queria  ter visto o Raimundos todo (cheguei só na hora de Eu quero ver o oco). o sistema de colocar um palco na frente do outro foi muito inteligente, porque assim se a pessoa tivesse um mínimo de inteligência, ela conseguiria raciocinar de um jeito a ver o show de sua banda favorita na frente do palco. Mas sempre tinha a manezada que saía correndo de um lado para o outro pra tentar pegar grade, aí é complicado... Sobre os shows que eu assisti , vão alguns comentários breves:

* Duff McKagan Loaded - normal. Vi um pedaço dele sentado na arquibancada, achei até bastante regular, entretanto não me empolguei, até porque não conhecia nenhuma música, exceto Atitude, um cover dos Misfits que rolou no finalzinho. Nessa hora eu já estava até em pé, na frente do palco esperando o BRMC aparecer.

* Black Rebel Motorcycle Club - A apatia, os rostos fechados, tudo isso eu já esperava. Heh, eles são altamente influenciados pelo Jesus and Mary Chain, MBV, e afins, é óbvio que tocariam o show inteiro olhando para baixo. E olha que ainda no final o baixista desceu até a galera do gargarejo. Achei um show legalzão, bem completo, principalmente por se tratar de um power trio. Faltaram algumas músicas, mas... curti mesmo assim.

* Down - Phil Anselmo. Isso resume toda a porrada que foi o show. Comecei a ter medo do cara depois que ele sangrou a testa de tanto bater o microfone nela. Mas assustei mais ainda quando mostrava a plateia e o pessoal fazendo moshing no telão. Dava medo até de olhar, aquele tanto de cara parrudo, careca, tatuado até na gengiva, brincando de 'lutinha'. O show deu para dar um up no pessoal, agitou muito mesmo, sem contar que tocaram trechos de pantera, o Duff acabou fazendo uma pontinha no palco também.

* 311 - Não vi, porque eu queria ficar na frente para assistir o sonic youth. Mas de longe, pareceu que foi meio tosco, sei lá.

* Sonic Youth - é meio complicado eu escrever sobre SY, porque qualquer coisa que eles fizessem no palco, eu como fã de longa data acharia o máximo. Foi interessante porque até os vendedores de cerveja pararam para assistir o show (isso mesmo, eles abaixaram a 'bandeirinha', ficaram quietinhos, assumiram que queriam ver o show para qualquer um ouvir). Li em alguns sites, e ouvi alguns comentários que o show fora mediano. Bom, particularmente acho que o pessoal que disse isso não tem muito conhecimento sobre SY. Os caras praticamente só tocaram hits!!! É o que eu sempre digo, metade do pessoal que diz gostar de sonic youth fala para 'pagar de doidão alternativo', porque o show foi sensacional, nos parâmetros da banda. É ÓBVIO que poderia ser melhor, mas temos que entender que eles já perderam um pouco do pique (quase 30 anos de banda), e mesmo assim eles continuam a fazer o clássico experimentalismo com asa guitarras e baixos. Thurston Moore sempre surpreende com suas gracinhas (adorei a 'surra de cabo' que ele deu na guitarra).
Melhores momentos do show: Schizophrenia (que Moore disse chamar 'Sister') e Teenage Riot, que eu mesmo não aguentei e puxei um empurra-empurra no canto direito do palco (na filmagem da multishow dá pra ver nitidamente!). Fãs de Sonic Youth sabem o que Teenage Riot significa no cenário alternativo do rock.

* Primus - Não vi, mas parecia que o show foi bacana. Nessa hora eu fui comer, estava exausto.

* Megadeth - vi algumas músicas, bem de longe. Apesar de ser um show agitadão, eu não animei a ver de perto, até porque nem era muito o meu espírito do momento. Melhor deixar para os metaleiros se mataram ao som de Symphony of Destruction.

* NÃO PRECISO NEM FALAR QUE NÃO CHEGUEI NEM PERTO DE SHOW DO SIMPLE PLAN, NÉ.

* Stone Temple Pilots - Muito bom o show! Deu para eu dar uma 'esquentada', já que eu estava altamente ensopado e o frio começava a pairar sobre o festival. Concordo com as críticas que eu li que o show começou meio morno e foi melhorando depois, porque realmente foi assim. Parece que no começo o pessoal da banda estava meio desanimado, e foi agitando com o tempo. Músicas como 'Plush', 'Big Bang Baby' moveram o público.

* Alice in Chains - A galera adorou (com exceção dos fãs hardcores que ainda não aceitam o novo vocalista), mas eu passei muito frio no show, a ponto de sair pulando até com músicas mais lentas, para esquentar. Minha capa de chuva já tinha ido pro saco uma hora dessas, estava ensopado, etc. Assisti o show mais de trás, e para ser bem sincero, eu esperei que fosse ser melhor, mas mesmo assim foi um bom show.

Antes de faith no more, um vídeo sobre sustentabilidade para fingir que o festival é feito para isso e ... bom, pelo menos a trilha sonora foi O sal da terra , de Beto Guedes. tá valendo.

* Faith no More - Eu nunca gostei e ainda não gosto de FNM. Porém, admito que o show deles foi um dos mais animados que eu já assisti. O tal do Mike Patton tem uma presença de palco mística, e soube aproveitar bem o fato de ser headliner para deixar o público muito satisfeito. Continuo não gostando de faith no more, mas agora entendo porque a banda tem tantos fãs. O show deles é maravilhoso, a interação com a plateia é nota 10 (os caras falam português, caramba!!!!), e o momento que cantaram Epic foi literamente épico. Ganharam meu respeito a partir desse show, sinceramente.

Por fim, um show de fogos de artifícios, para terminar o SWU, e a volta para casa...

Outros fatores:

SUSTENTABILIDADE PARA QUEM? : nunca me senti tão extorquido na minha vida, principalmente no momento que me cobraram 7 reais em uma coca cola. Nunca pensei que usaria essa frase, mas esse capitalismo selvagem é tenso, viu (junto com a maldita teoria de Adam Smith da oferta x demanda). Como disse meu amigo Loro, seria melhor que cobrassem o dobro no ingresso do que furarem os olhos do pessoal na hora. Além disso, não vi nada de sustentabilidade no evento. Planeta Terra me pareceu muito mais, entregando porta-bitucas de cigarro, preços mais acessíveis, etc.

SWU definitivamente não é um festival para estudantes. É tudo muito caro, altamente burocrático, etc. Isso porque eu fui de ônibus, porque o que eu vi do pessoal reclamar do estacionamento...

Por que os fóruns foram fechados ao público normal?

- Ah sim, tiraram a área vip lá na frente (o que era um absurdo!)

Apesar de tais defeitos, é preciso admitir que o line-up do SWU foi muito superior ao do Rock 'n Rio. Os shows (pelo menos do dia 14) respeitaram bem os horários previstos, e o fato de vendedores ambulantes venderem no meio da galera (mesmo que muito caro) é uma mão na roda. As placas indicativas pela estrada devem ter ajudado muito também o pessoal que estava indo para o evento. No final das contas, foi um dia muito rock n' roll, com ótimas bandas, ótimos shows. Vamos ver o que SWU 2012 aguarda, e se consegue manter o seu bom nome.

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Por fim, fico triste por não poder ir ao New Order, e fico na expectativa da confirmação do line up para o Lollapalooza. Sinceramente, a lista de bandas que estão mostrando na internet ainda soa meio fraco para um festival famoso internacionalmente....