quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Cereja do Bolo

Lembro que antigamente eu costumava dizer que a garota perfeita seria aquela que ouvisse Jesus And Mary Chain. É claro que, com o passar do tempo, eu vi que ninguém escuta JAMC (e por isso não há garotas perfeitas!), e comecei a estender a perfeição a garotas que ouvissem My Bloody Valentine. É óbvio que piorou, mas é somente uma brincadeira. Sei que, ultimamente, a garota perfeita pode se inserir também na categoria 'Escuta Sarah Records'.

Mês passado, me apresentaram à Sarah Records. Admito que nunca fui um fã de música muito preso à selos musicais, apesar de implicitamente entender a tendência da maioria deles, ou saber quais bandas pertencem à determinados selos, etc. Mas a Sarah... acho que foi amor à primeira vista, quer dizer, escutada. Parece até coisa de outro mundo imaginar que existiu uma gravadora entre 87 e 95 que produziu 100 singles da maneira mais pura do mundo.... é como se existisse uma gravadora que desse continuidade ao C-86 de maneira quase secreta até aos olhos dos amantes do estilo, e aparecesse agora. Quando eu ouvi pela primeira vez, o que eu pensei na hora foi exatamente "por que eu não conheci isso antes"?

É difícil bandas saberem fazer canções sobre inocência adulta, sem que soe retardado (vide a maioria das canções).  Mas as bandas da Sarah conseguem fazer isso com perfeição. Another Sunny Day, Sea Urchins, Brighter.... é como eu sempre digo: atrás das paredes de som, há uma proposta extremamente pop, uma tentativa de mudar o que escutamos nas rádios por algo mais divertido e até mais suave, apesar dos 'fuzzes'. Através dos singles, podemos perceber claramente as influências e o cenário musical na inglaterra na virada dos anos 80/90. O Jesus And Mary Chain com seu PsychoCandy abriu portas para outras bandas que jamais sonhariam em fazer sucesso com um pop barulhento, ou qualquer coisa que soasse alternativo, enquanto que as melodias e as letras dos Smiths encorajavam as bandas a tratarem de novos temas em suas canções.

Para o pessoal que não viveu a época (tanto quem não viveu na Inglaterra, até como para pessoas que nem nascidas nessa época eram, como eu mesmo) é um pouco difícil de entender o contexto, principalmente porque estamos acostumados a ver o produto da 'geração alternativa' (isto é, a explosão do Nirvana e todos os discos míticos de 91). Mas é legal observar como surgiam bandas rapidamente na Inglaterra, mesmo com o boom do dance e do house. Enquanto a Creation estava preocupada com a sua Haçienda e os Happy Mondays da vida, Sarah lançava pequenos compactos, de bandas que nunca serão ao menos reconhecidas. Dos singles que escutei, não teve um que eu possa ter julgado como ruim, e é engraçado porque não soam tampouco repetitivos, mesmo com a limitação toda. A verdade é que não é tão simples assim sair fazendo wall of sounds, tem uma certa 'lógica' no fundo das canções.

Para um fã da C-86 e da indie music (de verdade) como eu, é uma satisfação imensa saber que houve algo como a Sarah Records. E o mais interessante foi o fato de terminarem após o lançamento de 100 singles, com os dizeres:

"a day for destroying things...

... because when you were nineteen

didn't YOU ever want to create something beautiful and pure
just so that one day you could set it on fire
and then watch the city light up as it burned?
Didn't you want to do that every day of your life?

Nothing should be forever.
Bands should do one single and then split-up,
fanzines finish after one flawless issue,
lovers leave in the rain at 5am and never be seen again -

Habit and fear of change are the worst reasons for ever doing ANYTHING.

Stopping a record-label after 100 perfect releases
is the most gorgeous pop art-statement ever
and says more about pop-music than any two-part digipak
limited-edition coloured-vinyl 7"
grimly authentic lo-fi ten-track EP
(or any other marketing gimmick)
ever will.


Sarah Records is owned by no-one but us,
so it's OURS to create and destroy how we want
and we don't do encores.

We want to burn in bright colours and go pop,
to be giddy, impulsive and silly,
to kiss people in new places -
EXQUISITELY
- and dare to tear things apart.

The first act of revolution is destruction
and the first thing to destroy is THE PAST.
scary
like falling in love
it reminds us we're alive

Sarah Records 1987 - 1995"



Isso é tão.... the pains of being pure at heart, não é mesmo? O mundo anda tão corrompido, com gustavo lima e você que o próprio pessoal da Sarah Records previu isso e preferiu parar com tudo, antes que a própria Sarah se corrompesse. Quem sabe um dia, como diria o breno, as pontes de Bristol voltem a brilhar e haja algo parecido com a Sarah Records!


baixe singles da sarah records em www.amorloucobr.blogspot.com (que por sinal, é um blog excelente!!!)


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[momento você deveria ouvir....]

A Coletânea Não São Paulo I, de 1987!

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Próximo Post: BOB MARLEY!!!!!


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UMF 2011

Sei que já está um pouquinho tarde para escrever sobre o UMF, principalmente porque a maioria das matérias saíram no dia mesmo. A diferença é que o pessoal ganha pra ficar escrevendo e trabalha com isso, e eu não! Assim, vou escrever hoje mesmo, que foi quando sobrou um tempinho para falar sobre.

De festivais de música eletrônica, o máximo que eu já tinha chegado perto é dessas festas que começam normal e terminam em rave (Isto é, na minha cidade natal são as típicas festas que dizem ser de rock, você chega lá encontra uma micareta danada e no final todo mundo louco pagando de trancer na pista). Ano passado eu quase animei ir na tal da Playground por causa dos brinquedos, e ainda bem que não fui porque descobri depois que tinha no máximo uns 4, e dos muito toscos. Assim, Lá fui eu, totalmente inexperiente no maior festival de música eletrônica do Brasil.

É claro que eu só estava indo para ver o New Order. Nem conhecia direito o resto das bandas ou DJ's, e pouco me importava quem estaria lá. Como fã de N.O. e Joy Division, seria muito difícil que qualquer nome no line up do festival não passasse por mim como irrelevante. Entretanto, já que eu estava lá, seria uma boa hora para entender como funcionam esses festivais, a lógica, orgnanização, público, etc. Vamos lá:

* Local:    Sambódromo do Anhembi. Localização ótima, perto da rodoviária, em um lugar asfaltado, impossibilitando lamaçal. No início tive algumas dúvidas sobre a acústica do local, sobre a alocação de pessoas na hora dos shows, etc. Mas correu até tudo bem. A organização foi impecável. Distribuíram porta bitucas, colocaram um grupo de pessoas à disposição para mostrar o processo de reciclagem dos lixos, além de coleta seletiva. Nem precisa dizer que pareceu muito mais sustentável que o SWU, né. Falando nisso, os preços não estavam tão abusivos (sempre são, né, mas pelo menos estavam a nível de festival mesmo). Disponibilizaram algumas cadeiras para o pessoal sentar, o que foi uma boa na hora de comer, porque ninguém aguenta ir em um festival e até na hora de comer ficar em pé.
Os palcos ficaram organizadinhos,  telões bacanas, etc. Não vi nada a respeito, mas desconfio que o pessoal do Planeta Terra Festival esteve envolvido na organização. Foi bem o estilinho.

* Público:   Altamente variado. Como sempre, tinham os metidos a moderninhos e pagantes de alternativos, que demoram 19 horas só para escolher a camisa que vão ao festival. O pessoal que queria ver o New Order geralmente era mais velho e mais sério. No mais, um público muito bonito e produzido, que foi para ver o show dos DJ's. Nas área vip, riquinhos paulistas e 'vips' esbanjando ... mediocridade. (É claro que não dá pra generalizar)

* Shows:

Copacabana Club: Acho que essa banda está cada vez melhor. Pena que foi a primeira banda a tocar, então não tinha um público muito grande. Gostei mais ainda desse show do que a primeira vez que os assisti, aqui em Belo Horizonte (até porque não teve problemas de som como houve na última vez).Acredito que daqui um tempo terão uma projeção ainda maior, principalmente por causa do pessoal da banda, que parecem ser muito simpáticos

Soulwax: Um eletrônico beem agressivão, curti. Lembro que antes do show começar, eu disse que "ia pular para não estressar ao esperar o New Order", mas acabei pulando de verdade. O pessoal sabe fazer som pesado com sintetizadores, pesado ao ponto de até incomodar, algumas vezes. O único problema é que as músicas soavam muito parecidas. Se for para fazer algo parecido, deveriam ser mais minimalistas, soaria melhor. Mas mesmo assim, gostei muito e quero até ouvir melhor posteriormente.

New Order: bom, para escrever sobre o new order, preciso separar meu eu crítico em 2.

1- Como fã de Joy Division: Fantástico, vi 2 dos membros da formação original da banda, tocaram Ceremony, uma das últimas músicas do Joy. Uma pena Peter Hook não estar mais na banda, e eu não ter visto Stephen Morris passear no meio do povo antes do show começar, acho que até infartaria.

2- Como fã de New Order:  Simplesmente um desrespeito com os fãs. Primeiramente, por saírem anunciando por aí que New Order seria uma das atrações principais. Não foi nem longe disso, a banda tocou como uma iniciante, 'abrindo' show para DJ's que na maioria nem tem música própria direito. Isso é quase inconcebível  dentro do mundo da música eletrônica. Depois, que os roadies e a organização demoraram um tempão para arrumar os equipamentos em cima do palco, e ainda por cima fizeram tudo errado. Quando  tocaram 'crystal', não deu para ouvir nem a voz de Sumner direito. Aos poucos, foram organizando o som, até porque a banda reclamava em cada intervalo... Gillian Gilbert, multiinstrumentista  que voltou pra banda, fez questão de manter seu jeitinho blasé e nem cumprimentar a plateia, que berrava seu nome. Quanta chatice. Até Jim Reid deu um tchauzinho, quando veio em 2008 no brasil com o JAMC...
Enfim, eu esperava pelo menos 15 músicas, e eles tocaram 9. Tudo bem, que tocaram os sucessos e tal, mas não vingou. No momento que saíram do palco, pensei na hora "aaah, vão voltar e tocar Love Will Tear Us Apart", mas nada. Foram embora e nem voltaram. Para quem viajou 500km pra ver só uma banda, foi um pouco decepcionante.

Death From Above 1979: Apesar de ser uma banda famosinha no meio alternativo, nunca tinha escutado antes. O máximo que eu conhecia era a citação da música do CSS (ótima música, por sinal). Mas, sinceramente, achei MUITO RUIM. Deu a impressão que são dois malucos que não sabem tocar nada e tentam ser os novos sonic youth fazendo barulhos sem sentido e sem um pingo de harmonia musical. Péssimo, péssimo. Nem mesmo a presença de Igor Cavalera no finalzinho me fez trocar de opinião. Não consegui nem assistir o show todo, de tanto que eu achei fraquinho. Aliás, estou cansado dessa mania que o pessoal está de fazer esse tipo de banda (faltando instrumento, tipo kills, white stripes, etc), somente alguns tem o dom e a verdade é que DFA1979 não tem. Coitados.

Dj's em geral: mesma coisa de sempre, mas pelo menos têm um gosto melhorado para samplear, o que faz um pouco de diferença na pista. Você realmente sente vontade de dançar, é uma espécie de lavagem cerebral. Quem toma doce para 'ficar doidão' nesses eventos particularmente vacila muito, porque a própria frequência da música já te deixa um pouquinho alterado (falo isso porque nem bebo e com 15 minutinhos já fico dançando que nem a maioria da galera que está Loaded).

Swedish House Mafia: Sobre esse trio de Dj's, tenho que escrever separadamente, porque realmente me chamaram a atenção. Sobre house music (O QUE CHAMAM HOJE DE HOUSE MUSIC NÉ, porque a impressão que se tem é que a clássica batida 4/4 da música eletrônica se corrompeu em um bate-estaca chato, na maioria das vezes), não entendo muita coisa, porém fiquei pasmo com o tanto que a galera pira nos caras. As músicas nem começavam, e o pessoal já estava berrando que nem malucos (a última vez que eu vi isso foi no show do radiohead). Tudo bem que metade das músicas eram versões remix de outros cantores, mas o ritmo era até bom. Na verdade, me senti agraciado por ver DJ's tão bons no primeiro festival de música eletrônica que eu fui. Aposto que 80% dessa galerinha aí que se acha a 'turma da rave', não conhecem Dj's realmente bons.

* Atmosphere:  A melhor possível. Galera alegre, feliz, pulando de um lado pro outro (com exceção dos moderninhos né) e a grande diferença do festival: mesmo sendo de música eletrônica, luzes, e tudo o mais, não tinha a tal da 'pegação'. Acho que se a maioria dos festivais de música eletrônica e afins fossem nesses moldes, provavelmente eu seria uma pessoa mais sociável, hahaaha. Admito que me deu até vontade de ir no UMF 2012, caso tenha. Mas dessa vez, que pelo menos sejam sinceros e não anunciem bandas que tocarão normalmente como headliners, ou então que não podem totalmente o show destas.

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Próximo post ou eu devo escrever sobre sertanejo universitário, ou sobre a Sarah Records (minha paixão instantânea) ou sobre os dois, sei lá.






domingo, 20 de novembro de 2011

Balanço Geral SWU dia 14/11

É muito difícil fazer um 'relatório completo sobre o SWU dia 14/11'. E é por isso que EU NÃO VOU FAZER ISSO, mas vou pontuar algumas coisas sobre o evento, desde a excursão até os shows que eu assisti.


Sobre a excursão:

Fiquei muito satisfeito com a UFMG rock. Para ser sincero, foi a primeira vez que eu fui para um show em um ônibus decente, de modo que eu conseguisse dormir que nem gente e de maneira confortável. No início, eu pensei que a viagem seria chata, porque no meu ônibus parecia que só tinha metaleiro (tive certeza depois que colocaram o dvd do Dio para rodar), mas como eu dormi, nem vi o que aconteceu. Cheguei em Paulínia totalmente revigorado, porque consegui fazer uma boa viagem. Lembro que no planeta terra 2010 eu já cheguei morto por causa do ônibus (tanto que no final eu já estava mais exausto do que tudo). O único vacilo que eu cometi foi de não pedir no dia do pagamento da excursão para ir no mesmo ônibus que meu amigo (Loro), o que foi ruim e bom ao mesmo tempo. bom porque se nós tivéssemos no mesmo ônibus, iríamos conversar a viagem inteira.

Sobre os shows e o evento em si:

Muito grandinho o lugar, né. Isso foi legal, porque deu para distribuir bem todas as coisas que o evento comportaria. Os únicos problemas foram a demora na entrada (que me fez perder o show todo dos Raimundos), a chuva (que querendo ou não, é culpa dos organizadores, já que essa época do ano chove sempre) e o lamaçal (não lavei meu tênis até agora, coitado). Sobre a chuva, eu tentei comprar uma capinha para disfarçar, mas nem adiantou muito, já que choveu o dia inteiro e a capa não cobre a perna toda. A jogada de mestre verdadeira foi a dica que o Marcelo Rodarte me deu de colocar uma sacola no tênis. Aí, pelo menos, meus pés ficaram ilesos e aguentaram todo o festival.

Creio que me surpreendi em todos os shows. Como disse, queria  ter visto o Raimundos todo (cheguei só na hora de Eu quero ver o oco). o sistema de colocar um palco na frente do outro foi muito inteligente, porque assim se a pessoa tivesse um mínimo de inteligência, ela conseguiria raciocinar de um jeito a ver o show de sua banda favorita na frente do palco. Mas sempre tinha a manezada que saía correndo de um lado para o outro pra tentar pegar grade, aí é complicado... Sobre os shows que eu assisti , vão alguns comentários breves:

* Duff McKagan Loaded - normal. Vi um pedaço dele sentado na arquibancada, achei até bastante regular, entretanto não me empolguei, até porque não conhecia nenhuma música, exceto Atitude, um cover dos Misfits que rolou no finalzinho. Nessa hora eu já estava até em pé, na frente do palco esperando o BRMC aparecer.

* Black Rebel Motorcycle Club - A apatia, os rostos fechados, tudo isso eu já esperava. Heh, eles são altamente influenciados pelo Jesus and Mary Chain, MBV, e afins, é óbvio que tocariam o show inteiro olhando para baixo. E olha que ainda no final o baixista desceu até a galera do gargarejo. Achei um show legalzão, bem completo, principalmente por se tratar de um power trio. Faltaram algumas músicas, mas... curti mesmo assim.

* Down - Phil Anselmo. Isso resume toda a porrada que foi o show. Comecei a ter medo do cara depois que ele sangrou a testa de tanto bater o microfone nela. Mas assustei mais ainda quando mostrava a plateia e o pessoal fazendo moshing no telão. Dava medo até de olhar, aquele tanto de cara parrudo, careca, tatuado até na gengiva, brincando de 'lutinha'. O show deu para dar um up no pessoal, agitou muito mesmo, sem contar que tocaram trechos de pantera, o Duff acabou fazendo uma pontinha no palco também.

* 311 - Não vi, porque eu queria ficar na frente para assistir o sonic youth. Mas de longe, pareceu que foi meio tosco, sei lá.

* Sonic Youth - é meio complicado eu escrever sobre SY, porque qualquer coisa que eles fizessem no palco, eu como fã de longa data acharia o máximo. Foi interessante porque até os vendedores de cerveja pararam para assistir o show (isso mesmo, eles abaixaram a 'bandeirinha', ficaram quietinhos, assumiram que queriam ver o show para qualquer um ouvir). Li em alguns sites, e ouvi alguns comentários que o show fora mediano. Bom, particularmente acho que o pessoal que disse isso não tem muito conhecimento sobre SY. Os caras praticamente só tocaram hits!!! É o que eu sempre digo, metade do pessoal que diz gostar de sonic youth fala para 'pagar de doidão alternativo', porque o show foi sensacional, nos parâmetros da banda. É ÓBVIO que poderia ser melhor, mas temos que entender que eles já perderam um pouco do pique (quase 30 anos de banda), e mesmo assim eles continuam a fazer o clássico experimentalismo com asa guitarras e baixos. Thurston Moore sempre surpreende com suas gracinhas (adorei a 'surra de cabo' que ele deu na guitarra).
Melhores momentos do show: Schizophrenia (que Moore disse chamar 'Sister') e Teenage Riot, que eu mesmo não aguentei e puxei um empurra-empurra no canto direito do palco (na filmagem da multishow dá pra ver nitidamente!). Fãs de Sonic Youth sabem o que Teenage Riot significa no cenário alternativo do rock.

* Primus - Não vi, mas parecia que o show foi bacana. Nessa hora eu fui comer, estava exausto.

* Megadeth - vi algumas músicas, bem de longe. Apesar de ser um show agitadão, eu não animei a ver de perto, até porque nem era muito o meu espírito do momento. Melhor deixar para os metaleiros se mataram ao som de Symphony of Destruction.

* NÃO PRECISO NEM FALAR QUE NÃO CHEGUEI NEM PERTO DE SHOW DO SIMPLE PLAN, NÉ.

* Stone Temple Pilots - Muito bom o show! Deu para eu dar uma 'esquentada', já que eu estava altamente ensopado e o frio começava a pairar sobre o festival. Concordo com as críticas que eu li que o show começou meio morno e foi melhorando depois, porque realmente foi assim. Parece que no começo o pessoal da banda estava meio desanimado, e foi agitando com o tempo. Músicas como 'Plush', 'Big Bang Baby' moveram o público.

* Alice in Chains - A galera adorou (com exceção dos fãs hardcores que ainda não aceitam o novo vocalista), mas eu passei muito frio no show, a ponto de sair pulando até com músicas mais lentas, para esquentar. Minha capa de chuva já tinha ido pro saco uma hora dessas, estava ensopado, etc. Assisti o show mais de trás, e para ser bem sincero, eu esperei que fosse ser melhor, mas mesmo assim foi um bom show.

Antes de faith no more, um vídeo sobre sustentabilidade para fingir que o festival é feito para isso e ... bom, pelo menos a trilha sonora foi O sal da terra , de Beto Guedes. tá valendo.

* Faith no More - Eu nunca gostei e ainda não gosto de FNM. Porém, admito que o show deles foi um dos mais animados que eu já assisti. O tal do Mike Patton tem uma presença de palco mística, e soube aproveitar bem o fato de ser headliner para deixar o público muito satisfeito. Continuo não gostando de faith no more, mas agora entendo porque a banda tem tantos fãs. O show deles é maravilhoso, a interação com a plateia é nota 10 (os caras falam português, caramba!!!!), e o momento que cantaram Epic foi literamente épico. Ganharam meu respeito a partir desse show, sinceramente.

Por fim, um show de fogos de artifícios, para terminar o SWU, e a volta para casa...

Outros fatores:

SUSTENTABILIDADE PARA QUEM? : nunca me senti tão extorquido na minha vida, principalmente no momento que me cobraram 7 reais em uma coca cola. Nunca pensei que usaria essa frase, mas esse capitalismo selvagem é tenso, viu (junto com a maldita teoria de Adam Smith da oferta x demanda). Como disse meu amigo Loro, seria melhor que cobrassem o dobro no ingresso do que furarem os olhos do pessoal na hora. Além disso, não vi nada de sustentabilidade no evento. Planeta Terra me pareceu muito mais, entregando porta-bitucas de cigarro, preços mais acessíveis, etc.

SWU definitivamente não é um festival para estudantes. É tudo muito caro, altamente burocrático, etc. Isso porque eu fui de ônibus, porque o que eu vi do pessoal reclamar do estacionamento...

Por que os fóruns foram fechados ao público normal?

- Ah sim, tiraram a área vip lá na frente (o que era um absurdo!)

Apesar de tais defeitos, é preciso admitir que o line-up do SWU foi muito superior ao do Rock 'n Rio. Os shows (pelo menos do dia 14) respeitaram bem os horários previstos, e o fato de vendedores ambulantes venderem no meio da galera (mesmo que muito caro) é uma mão na roda. As placas indicativas pela estrada devem ter ajudado muito também o pessoal que estava indo para o evento. No final das contas, foi um dia muito rock n' roll, com ótimas bandas, ótimos shows. Vamos ver o que SWU 2012 aguarda, e se consegue manter o seu bom nome.

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Por fim, fico triste por não poder ir ao New Order, e fico na expectativa da confirmação do line up para o Lollapalooza. Sinceramente, a lista de bandas que estão mostrando na internet ainda soa meio fraco para um festival famoso internacionalmente....


domingo, 30 de outubro de 2011

Obra de Arte

O que posso dizer, simplesmente é: quem não enjoou de tanto escutar a música "Morango do Nordeste", praticamente não viveu 1999. TODOS OS CANTORES, TODAS AS RÁDIOS, TODAS AS EMISSORAS DE TV, INCLUSIVE O PAPAGAIO DA SUA AVÓ só tocavam essa música, de modo que eu tive até minhas dúvidas se ela substituiria o nosso hino nacional. Tive muito medo, admito.

Tudo bem que vários anos já se passaram desde o seu sucesso, mas "Morango do Nordeste" ainda se mantêm na boca do pessoal. Qualquer um que soltar meia estrofe dela, pode preparar que vai aparecer um gente boa pra terminar de cantar. Na verdade, músicas desse nível deveriam passar longe do Insono, mas, como nós temos um 'compromisso com a verdade' (aonde que eu vi isso mesmo?), pelo menos análise da letra eu terei a obrigação de fazer. Lá vai:


Morango do Nordeste

 (desconheço o autor, mas se eu fosse colocar o nome de todos os intérpretes... a internet não tem bytes suficientes para suportar tamanha informação)


Estava tão tristonho quando ela apareceu

Até aí beleza, dá pra aceitar. O cara tava na fossa, provavelmente abandonado pela antiga paixão, bebendo em um boteco sozinho em plena quarta feira, quando a 'morango do nordeste surgiu'. Não dá pra falar nada, por enquanto.

Seu olhos que fascinam logo estremeceu

Estremeceu o quê, caramba? Não dá pra saber se os olhos fascinam logo, ou se fascinam, e logo estremeceu. Só pode ser de propósito, pra não ter sentido mesmo...

Os meus amigos falam que eu sou demais

O QUÊ? Quando eu escuto isso eu só consigo imaginar um bando de amigo puxa saco falando: "nossa cara, você é demais, o maior pegador, o rei da gente, por favor, nos ensina a ser como você!" E mesmo assim, com os amigos dizendo que ele é demais, ele assumiu no começo da música que estava tristonho! auto-estima pior que a minha, viu....

Mas é somente ela que me satisfaz

Sem palavras para descrever isso. Depois que todos os seus amigos passam horas fazendo elogios, ele diz: "não, somente ela que me satisfaz". Cara merece ficar na fossa mesmo. Os amigos tentando dar uma força (lembram, ele estava tristonho), mas não serviu de nada...

É somente ela que me satisfaz

Todo mundo já sabe...

È somente ela que me satisfaz

Só pode estar tonto, né, pra repetir isso várias vezes.

Você só colheu o que você plantou

Pois é. Acredito que isso seja no fundo, uma paráfrase à Perfect Day, de Lou Reed, só para reforçar a ideia. Porque se não for, não tem nada a ver com a música. Quem colheu? Quem plantou?!?!?!?

Por isso que eles falam que eu sou sonhador

Deu vontade de parar aqui. Tá de brincadeira, só pode. NÃO TEM NADA A VER!!!!! Então quer dizer que seus amigos que dizem que você é demais, após verem que quem satisfaz seu ego é só a mulher que chegou com o olhar 43, dizem que você é um sonhador por dizer que só colheu o que plantou? Você não é um sonhador, é um lesado, isso sim!

E digo o que ela significa pra mim

Vamo ver, gente, o que que ela significa para esse cara que é demais...


Ela é um morango aqui no nordeste
 
Esses morangos do nordeste, vou te contar, viu.....


Tu sabes não existe sou cabra da peste

Eu não sei de nada, depois dessa música eu não sei mais nada! Se você tá falando que é um cabra da peste, deve ser mesmo, porque os seus próprios amigos dizem que você é demais. Espero que pelo menos você se satisfaça com suas auto-qualificações.

Apesar de colher as batatas da terra
 
HUAHAUAADHFUASDHHAUSDHFUSDHU não vou aguentar, eu vou morrer de rir aqui huahauahuhuhuhu. A frase não só tem sentido algum, como é simplesmente imbecil pelo fato de não ter batatas do céu. Mas sei lá, né, esse universo é grande, se o cara tá falando de morango do nordeste, vai ver deve ter batatas de marte, ou qualquer outra coisa. Afinal, de um cara que é DEMAIS pode-se esperar qualquer coisa.


Com essa mulher eu vou até pra guerra , (vou)
 
Há, mermão, quanta covardia! Querendo levar mulher pra guerra? E mesmo se não levar, mas tu é burro, hein? Logo você, que estava tão tristonho, etc, depois de arranjar uma mulher vai é pra guerra? será que você realmente é demais, como dizem seus amigos?

Aai, é amor
Aai é amor
É amor
Aai, é amor
Aiaiai é amor
É amor



Tá, eu acredito que é amor mesmo. Só alguém muito apaixonado pra escrever uma coisa dessa.



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 Só deixando bem claro que isso foi apenas uma brincadeira com a música, sem nenhuma intenção de ofender ninguém. Até porque, é tanta gente que canta essa música que eu nem sei quem foi o grande gênio que a escreveu. Provavelmente ele deve ter uma história por trás. Só espero que não seja a que essa música fale sobre a maconha (que foi a interpretação mais bizarra que já vi na vida)
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No mais, aguardo o SWU. E sonho com Stone Roses no Brasil (digo Stone Roses porque eu praticamente desisti de uma vinda do Cure). 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Notas Musicais

Somente algumas notas mesmo, sobre alguns acontecimentos ~~

* É, então depois de 27 anos de casamento Moore e Gordon cismam de separar. Tudo bem, né, vai ver eles cansaram de ficar juntos, de verdade. Sei que isso não tem nada a ver, mas deve ser uma rotina mega estressante, principalmente para um casal, que deve misturar as brigas matrimoniais com os conflitos da banda. O problema é que isso pode significar o fim do Sonic Youth. Agora vejo que valeu a pena eu ter comprado o ingresso para ir no swu. Por favor, alguém, grave o bootleg desse show! poderá ser histórico!!!! Mas não nego que estou preocupado de assistir um show morto, com os membros da banda mal olhando um para o outro, ou tocando com extrema má-vontade. Espero que mantenham a consideração com os fãs.

* Sonic Youth prestes a acabar e Stone Roses anunciando volta! Acho que foi uma das melhores notícias que ouvi recentemente. Taí uma atração que o pessoal organizador do Lollapalooza, Terra ou SWU devem ficar de olho e trazerem a todo custo! Stone Roses é lendário, simplesmente a melhor banda do Madchester (Madchester, não Manchester), algo que a galerinha metida do Oasis nunca conseguiu copiar direito (mesmo imitando até o penteado)... Apesar que ao vivo, sinceramente, eles não são lá essas coisas. A voz de Ian Brown é muito sintetizada, qualquer  que já viu uma mera apresentação deles ao vivo já notou a diferença para os álbuns. Mesmo assim, por mim poderiam sair em uma turnê só de músicas do Second Coming (considerado ruim pelos fãs pela-saco) que eu iria

* Empolguei denovo com Black Rebel Motorcycle Club (não escutava desde 2007), para ir ao show deles no swu, também. A voz do vocalista indiscutivelmente é idêntica à de Jim Reid (Jesus And Mary Chain), ficando ao lado de Crystal Stilts, Raveonettes e outros seguidores como herdeiros do legado pré C-86.

* Será que "Lulu" (é isso mesmo?), o álbum gravado por Lou Reed + Metallica, será bom? Gosto muito de ambos (mais de Reed), e ao contrário de muita gente que fez cara feia quando soube da parceria, achei quase genial. Tanto Metallica quanto Lou Reed são de muita responsa, duvido muito que teriam coragem de reunir para criar um álbum lixo. Todavia, para ser sincero, acredito que os fãs de Metallica irão gostar menos, por estarem esperando um álbum nos moldes dos anteriores [que particularmente acho que não vai acontecer de jeito nenhum]. O que eu queria na verdade era um encontro de Lou Reed com Zé Ramalho, isso que ia ser hilário! Uma disputa do caramba pra ver quem canta falando de maneira mais estilosa.

* Rock n' Rio parece que foi bom, né, apesar dos pesares. Admito que queria muito ter ido no Red Hot no início, mas como também já fui adolescente, meu maior pesar foi perder o show do Slipknot, no dia do metal. como diz Daniel, 'podem me chamar de herege', mas não deve ter nada melhor do que o clima de um show desses caras. pancadaria do início ao fim, pessoal todo pulando, o ritmo da música te agitando, sem contar o tanto que deve ser engraçado a turminha do mal toda de preto black grave folk ultimate gore black super black meu black mais black que o seu black metal se matando, naquele calorão, e todo mundo assando que nem leitão. Isso porque nem citei o palhaço da banda, que só fica fazendo... palhaçada.

* Nunca fui de me empolgar muito com trilhas sonoras de filme, mas curti MUITO a trilha de Velvet Goldmine. Tá, também é óbvio (filme só toca Brian Eno, Roxy Music, Lou Reed, T-Rex). A trilha sonora é tão boa que dá até pra ver o filme sem se horrorizar tanto (se e´que me entendem....)




No mais, é isso. até a próxima!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Soon

Muito bem, em 2011 nós comemoramos 20 anos do lançamento de um álbum que foi um mito para a história do rock alternativo. Até hoje nós podemos notar suas influências nas bandas atuais, e a cada vez mais, o respeito que vem ganhando dentro do cenário musical, assim como a genialidade de seus membros, que hoje seguem alguns projetos paralelos em bandas descoladas. Mas é claro que estamos falando do Nevermind, do Nirvana Loveless, do My Bloody Valentine!!!!

Meu primeiro contato com Loveless foi em 2006. Não me agradou muito, para ser bem sincero. Na verdade, eu estava escutando na mesma época o "Nowhere", do Ride, e músicas como "Vapour Trail" e "Polar Bear" não deixavam eu querer escutar uma outra coisa, mesmo que soasse parecido. Assumo que não consegui escutar muito mais do que uma barulheira na primeira vez que eu ouvi o disco. E olha que eu já estava acostumado com Jesus And Mary Chain...

Mas, ainda bem que a gente sempre cansa de escutar as mesmas coisas e depois tenta dar uma peneirada na própria biblioteca para achar algo que ainda não está tão enjoado assim. Desse modo, quase dois anos depois, eu animei a escutar o Loveless de novo. Confesso que mais uma vez, o álbum passou batido pelo menos ouvidos. Porém, dias depois, o maldito riff de "Soon" insistia na minha cabeça, e eu ficava cantarolando isso o tempo inteiro mentalmente. Era semi-hipnótico. E o pior: eu não lembrava daonde que eu tinha escutado, então eu ouvi o disco mais uma  vez para achar o riff em loop eterno e etéreo. Agora sim, eu (re)descobri o álbum, para ser apaixonado por ele para sempre.

Loveless não é um álbum qualquer, e muito menos um álbum feito para ser de escuta fácil. Ele te requer paciência, certo estado de espírito, e por que não, um aparelho de som decente. Todas as músicas estão repletas de camadas de som, de modo que as vozes de Bilinda e Shields são quase inteligíveis no meio do barulho, se tornando quase notas de guitarra. A verdade é que o som das guitarras é tão magnífico que todos os outros instrumentos e recursos se tornam meros coadjuvantes nesse disco. E não é por menos. Dizem que Loveless foi um dos discos mais caros da história da Creation, além de ser gravado em várias frequências, devido às exigências de Kevin Shields. Imagino quanta música deve ter sobrado, e ele não quis inserir no disco por achá-la "inferior" às outras. De qualquer jeito, é difícil imaginar algum modo de melhorar esse disco.

Cada música possui a sua peculiaridade, o seu toque especial, a sua mistura de shoegaze + dream pop. Sempre que são escutadas novamente, pode-se perceber um detalhe a mais, aquela guitarra distorcida lá no fundo, aquela oscilação na parede de som, ou a alternância na sua música favorita. Além de tudo, Loveless é uma evolução para a própria banda, uma vez que a partir de Loveless (na verdade, iniciou-se em Isn't Anything, o álbum antecessor) o conjunto começava a se desvincular do espírito C-86 que ainda permeava as canções. Não que  sua fase anterior seja ruim - pelo contrário, os singles do primeiro momento da banda são fantásticos, talvez deva escutá-los atualmente até mais que o próprio Loveless - mas My Bloody Valentine passou do patamar de banda notável e influenciada de sua vertente para banda influenciadora, a banda-símbolo do Shoegazing.

É desnecessário falar de cada música separadamente, e nem sei se isso seria certo. Elas constroem entre si um elo, qual são interdependentes. Uma completa a outra dentro do álbum, a ordem está perfeita. A sinestesia que o disco contém em si pode ser percebida claramente quando se fecha os olhos e você só consegue pensar em branco e vermelho. É uma sincronia inexplicável.

Loveless hoje é um marco para o shoegazing, e a influência de My Bloody Valentine continua em expansão, dentro ou fora de seu gênero musical. Principalmente na atualidade, em que as bandas que estão surgindo voltaram a ter consciência que colocar um computador para operar músicas é tarefa de profissionais como Brian Eno, Kraftwerk, ou até mesmo Daft Punk, e não para bandas de rock. E que sim, o barulho pode se tornar música, a nível de obra de arte.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Restou o Kaos

De todas as bandas que fizeram parte de minha vida, dificilmente uma teve uma participação tão sólida como o Anarkaos. Além de ser uma banda da minha cidade, o conjunto representava a mistura das minhas próprias influências musicais e a prova viva em que uma cidade do interior poderia ter sim uma banda de rock maneiro, sem que ficasse eternamente tocando cover de bandas mainstreams do momento. No fundo, todo mundo acabava se identificando com um trecho ou outro das músicas, já que de certa forma, o (contra)cotidiano era muito parecido.

Como se fosse hoje mais cedo, lembro do primeiro show que fui do Anarkaos. Foi em 2006, no extinto Jazz Bar, no lançamento do segundo disco da banda. Antes disso, eu já tinha ouvido falar (é claro), mas pensava que era algo totalmente diferente, até porque todos citavam a banda como "a banda em que o Paulo professor do Anglo toca". Possivelmente até hoje não teria tanto apreço pela banda, mas não me lembro quem me disse que "eles gostavam muito de Cure". Isso foi a palavra-chave. Eu estava no meu período mais doente-maníaco por Cure, qualquer coisa que tivesse uma ligação mínima com a turma do Robert Smith eu estaria topando! Se não me engano, os ingressos eram gratuitos, distribuídos aonde o guitarrista Adriano trabalhava. Fiz grande parte dos meus amigos irem no show comigo - estavam achando ótimo, éramos/somos todos quebrados e é muito raro ter show em Formiga, principalmente de graça.

E assim fomos nós, uma pequena turminha (um embrião do que hoje chamamos de "turma da praça", ou até mesmo MK Vera) em busca de música boa. Eu, motivado pelo "instinto Cure"; meus amigos para curtir o show mesmo. Sei que quando começou o show  fui reconhecendo alguns membros da banda (como o Branco, e até mesmo o Tucano que fez uma pontinha em uma canção) e vi que não era beeem algo parecido com Cure [exceto o 'Smith' do apelido da Ju]... mas mesmo assim era algo que era muito, muito massa. Foi a mesma sensação que tive quando ouvi T-Rex pela primeira vez: ouvi pensando que seria uma coisa, fiquei surpreso ao ver que não era o que pensava que fosse, e acabei gostando de verdade por achar o que eu estava ouvindo na hora muito bom. Saí de lá elogiando o show até não poder mais, assim como meus amigos que estavam comigo.

Não sei se eu e o Lalinho exageramos demais ao elogiar, mas sei que falamos tanto do show pros outros que no próximo show, já conseguimos arrastar mais gente para ir assistir com a gente . Nesse período de tempo, já tínhamos decorados várias letras (Soul Underground era obrigatória), e de tanta propaganda que fazíamos, a galera ficava todo dia entrando no fotolog (nessa época era fotolog!) da banda esperando o aviso de um show novo. Os Planctons já haviam se tornado algo sério (desde sua aparição na estreia do segundo disco), e essas "duas" bandas definitivamente matavam o tédio de uma certa juventude de uma cidade do interior que não tem nada para fazer a não ser comer ou falar da vida dos outros.

Bom, acho que eu poderia ficar aqui até amanhã  falando sobre os casos que envolvem eu+minha turma e o Anarkaos ( são muitos mesmo, como o show no caminho da roça, o cover do Rage [tinha tirado meu siso dias antes desse show, arrebentei todos os pontos no dia], o Formiga Sônica, aliás, o próprio ato de frequentar o Novo Paladar) , mas em especial eu gostaria de Ressaltar o surgimento do Movimento Kill Vera. Graças ao Anarkaos (e a mãe do PM) , a minha turma de amigos, de fato, começou a existir. O que começou como uma brincadeira acabou virando uma turmona de gente, mesmo. E é claro, o Anarkaos era uma espécie de padrinho pra gente.

Por mais que isso pareça idiota ou infantil, realmente existia o sentimento de identidade. Era só falar que tinha um show da banda, que todo mundo aparecia em Formiga para assistir. Soul Underground ainda é nosso hino, creio que sempre será. Tínhamos (temos, na verdade) um enorme apreço por todos os membros da banda, tanto que todo mundo sabe falar no que e em que tal membro é mais massa. Apesar de todo mundo ter crescido pra caramba nesse tempo, algumas coisas, nem que seja por nostalgia, ainda ficam. Sempre ficam.
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Acabou que eu falei demais aqui, nem comentei sobre o disco e...


O dia que fomos informados que a banda ...é... 'não seria mais a mesma' , soou como se alguém tivesse morrido. O pessoal escutou o CD, que para a gente ficou entendido como um presente de despedida, na sensação de que era o último adeus de algo que marcou tanto o final da nossa adolescência. Sabemos que as coisas vão um pouco mais além, que nem tudo está acabado, mas mesmo assim, foi como se todo mundo sentisse as dores de uma separação. O tom sombrio de algumas músicas, a guitarra ausente em outras, a sonoridade clean (que vai além de somente nome) expressa uma espécie de adeus.

Com todas as pessoas que cheguei a comentar, houve um consenso: o terceiro disco é o melhor álbum da banda. Creio que cada pessoa pode fazer sua própria interpretação sobre as músicas (talvez isso seja a própria intenção de Branco, Warlen, Adriano e Paulo), mas eu fiz pequenas divagações em quase todas as faixas do disco. Ainda não sei definir qual foi a minha faixa favorita (Luto 777 é tão marcante, ao mesmo tempo que o Ministro do Funk dá vontade de arrebentar a rotina de verdade e Opala Capa Preta é tão.... junk town nothing got to keep it coming, hipshake gunning kick start and I'm running, se é que me entende... droga, lembrei do riff principal de Lesgo Lesgo... realmente é difícil), esse disco foi realmente uma obra de arte. Como já disse, somente senti falta de uma guitarra em algumas músicas, e de alguns backvocals da Ju, mas... isso não tira a beleza do disco.


Acho que , no final de tudo, sobrou só agradecer ao Anarkaos - pelo (s) disco (s), pelo carinho que tiveram com a gente durante todo esse tempo, com a paciência por ouvirem "soul underground! soul underground!" em todo santo final de show, por aguentar canseira da gente perguntando quando teria um show novo, pela imaturidade de não aceitarmos as coisas direito sem sabermos dos fatos concretos, por fazer um lugar semi-abandonado virar um "pub" da cidade, por aturar encheção de saco seja ela na rua, na internet , nos shows, por ser um motivo de reunião de amigos ausentes na cidade (inclusive eu), por fazer a nossa vida tão mais feliz nas madrugadas dos sábados em que vocês tocavam.


Fez efeito!