quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

We are the 801 - escute agora (!)

(Esse post foi escrito ao som de Mazzy Star - Seasons of Your Day, um dos melhores discos de 2013!)

[não vou fazer postagens sobre os melhores discos de 2013. tem muitas - muitas mesmo por aí.]


Now listen, now now listen....


A discografia de Brian Eno é muito vasta e, embora eu tenha escutado quase todos os discos de estúdio, eu não consigo fazer ideia de quantos discos foram produzidos por ele para terceiros. Obviamente, tem os clássicos (trilogia de Berlin em conjunto com Bowie e Tony Visconti, os melhores discos do U2, Devo, Talking Heads, a versão crua de Marquee Moon, etc), mas ele já produziu tanta gente que às vezes dá para esquecer de seus músicos mais próximos. Phil Manzanera é um desses.

Procurando alguma coisa nova para escutar no meio das minhas próprias músicas (sempre pego algo para escutar e depois esqueço, então não é uma coisa tão sem sentido assim), encontrei Listen Now, do guitarrista Phil Manzanera e 801. Essa obra-prima do art-rock foi gravada em 1977, com a colaboração de Eno e toda  a turminha do 801, que são simplesmente geniais. Aliás, o próprio termo "Eight-Nought-One" é genial por si só e dispensa comentários sobre a própria concepção de música que o grupo tinha. Em Listen Now, Manzanera prova que o Roxy Music não é/era fantástico apenas pelo embate entre Eno e Bryan Ferry, mas também porque tinha um guitarrista bem à frente de seu tempo, seja por tocar, seja por compor.

É interessante notar que em 77 (apesar do disco começar a ser produzido em 75), o cenário musical inglês começava a se voltar para o proto-punk e até mesmo para o punk, ao tempo em que qualquer coisa que quisesse soar diferente deveria mergulhar no progressivo chato, cheio de teclados maçantes e propostas sem graça. Mesmo assim, Manzanera e 801 criaram um disco que criticava o modo como a sociedade da época se ajustava (particularmente, críticas não muito diferentes das relativas à sociedade atual), sem perder o feeling de jazz e canções bem produzidas. E, como sempre, alguma pitada de obscuridade ou mistério, como nos últimos versos de Flight 19, em alusão ao Triângulo das Bermudas.

Em uma rápida análise de algumas músicas em separado, Island poderia ser mencionada como uma das melhores músicas instrumentais que eu ouvi nos últimos tempos, tanto pela atmosfera da música realmente remeter a uma ilha, quanto pelas guitarras bem colocadas. Initial Speed demonstra que o pessoal realmente não estava ali para brincadeira (até porque 16 pessoas tocaram nesse disco). A faixa homônima, com algumas pitadas de jazz, consegue ser uma música longa, mas não enjoativa - sem contar que o "now listen, now now listen", fica na cabeça por um bom tempo. E Postcard Love... bom, acho que é a música mais bonita e  legal que já ouvi sobre friendzone na vida.

[bom, digo isto porque não me vem à cabeça músicas muito boas sobre friendzone. Na verdade, só veio aquela do casamento, sei lá ..."o tempo passou e eu sofri calado/ não deu pra tirar ela do pensamento/", sabe?]

Enfim, escute agora. Listen Now é excelente para fãs dos trabalhos de Eno, Roxy Music, King Crimson e o mais o que eu costumo chamar de 'progressivo inteligente'. E claro, não deixa de ser mais um disco-proposta, recheado de tendências que, embora toda essa gama de discos lançados na atualidade, ainda não foram totalmente exploradas.



domingo, 1 de dezembro de 2013

Vocais Femininos

Duas palavras definem Bilinda Butcher: casa comigo
(Este post foi escrito ao som de Ira! - Mudança de Comportamento - 1985)

Admito que a intenção inicial da postagem era fazer um review sobre Reflektor, o novo disco do Arcade Fire. Mas sinceramente, ainda não digeri o disco suficientemente para fazer uma boa análise - até porque nesse hype de Arcade Fire, tudo o que fazem é concebido pela crítica como obra prima (que particularmente, de obra prima mesmo só considero o Funeral). Então, vamos esperar a poeira baixar.

Então, vou deixar algumas recomendações de vocais femininos que realmente valem a pena de serem conferidos. É até uma boa, com o feminismo cada vez mais em alta.

Sempre tive uma inclinação para vocais femininos, seja por achar sexy, ou por achar diferente mesmo (considerando que a maioria das bandas possuem vocais masculinos), à exceção dos vocais femininos forçados - que são o mais comum e geralmente pertencentes à participantes de programas de TV de show de calouros. Acredito que a presença de vozes femininas no rock seja até mesmo ver a música por um outro prisma - de quem geralmente ficava no fundo, fazendo vozes de backing vocal, e agora está ali à frente, mostrando que também sabe liderar a banda/ grupo. Sem delongar demais, vou indicar algumas cantoras que merecem ser escutadas:


Patti Smith
Acho que essa dispensa apresentações, até porque Patti não é só cantora, como uma poetisa de mão cheia. Seu jeito único e desesperado de cantar, junto aos temas sombrios de suas canções contribuíram para a formação do proto-punk e até do modo como fazer música, em pleno anos 70. Poderia sugerir para escutar sua obra-prima Horses, mas vou deixar como dica hoje o The Coral Sea, feito em parceria com Kevin Shields, do My Bloody Valentine. Aliás, falando em MBV....


Bilinda Butcher
Não há como entender o shoegaze sem ouvir My Bloody Valentine, e consequentemente, sem se apaixonar pela voz de Bilinda Butcher. Em meio a tantas paredes de som, distorções, jazzmasters e jaguares disputando quem é melhor no tremolo, há a doce voz de Bilinda, trazendo harmonia e transcendendo o próprio conceito de Dreampop com seus sussurros. Deveria sugerir Loveless, mas recomendarei MBV (2013), disco inédito após anos de amarração de música de Kevin Shields e cia.

Nico
Tá, tudo bem que ela só foi aparecer no primeiro disco do Velvet Underground por pressãozinha de Andy Warhol, mas não há como negar que a voz (e ela) de Nico é maravilhosa. De fato, ela faz jus ao ser chamada de femme fatale, tanto pelo charme quanto pela voz ecoada e de mulher madura. Chelsea Girls é um disco bacana para se arrebatado pra sempre por sua voz.

Kim Gordon
Há, a famosa baixista do Sonic Youth, paixão platônica de metade dos fãs de música alternativa dos anos 90. Kim não só tem estilo próprio (até porque é estilista), como também toca muito e canta sem ligar para nada, botando respeito com ironia e voz agressiva. Enquanto isso,  a outra metade dos alternativos dos anos 90 eram apaixonados por sua xará, a...

Kim Deal
também baixista (mas do Pixies), Kim foi voz de apoio em várias músicas, mas soltava o berro na sua banda formada com a irmã gêmea (Breeders). De toda forma, canta uma dos singles mais famosos do Pixies - Gigantic - , sem contar sua outra banda (The Amps). Recomendo o Last Splash, do Breeders, com muita saudade do show de 2008, onde eu pensei que fosse morrer (espremido) ao som de Cannonball. Bom, nos anos 90 também havia Courtney Love e...

Não vou falar sobre Courtney Love. Prefiro falar sobre a Sandy, é sério.

Sandy
Namoradinha do Brasil, a filhota do "Chitãozinho e Xororó" (adoro essa ideia de 2 pais que todos fazem dela), querendo ou não tem uma voz incrível, de forma que ofuscava totalmente seu irmão na duplinha. Afinal, quem não se lembra daquele "é Imor-taaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalllll" que durava 3 minutos? Até o mestre Sabotage respeitava a menina! Sugestão de disco: Aquele que você tem guardado aí na sua casa, mas tem vergonha de falar.

Moe Tucker
Sim, eu sei que Moe Tucker não era vocalista (no Velvet), mas vamos admitir que nos anos 60 não era nada convencional ter uma mulher em uma banda. E não era uma banda qualquer, era o Velvet Underground. E não tocava de um modo qualquer, ela tocava EM PÉ! Só por isso, fica a menção honrosa a esta mulher de atitude ninja aqui. Sugiro Loaded, meu disco favorito do VU, mesmo ela tendo carreira solo.

Dot, Helen e Betty Wiggin
Não poderia haver uma lista dessa sem citar as irmãs Wiggin e a mítica banda The Shaggs, uma banda formada por um pai maluco e que acreditava que as filhas cumpririam uma profecia de uma cartomante. Ok, o sucesso de fato nunca veio, mas seu disco único (Philosophy of The World) simplesmente é uma dos discos mais emblemáticos e únicos do rock, formado por garotas que sequer sabiam o que estavam tocando. Ou na verdade sabiam até demais, e ainda não estamos preparados para compreender esta obra de arte.

Enfim, poderia citar Amy Winehouse, PJ Harvey, Siouxsie, Fernanda Takai, Rita Lee, etc, etc, etc, mas acho que já dá pra ter recomendações até o final do ano, não?  Vida longa às mulheres no rock!!


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Legendary Lou

Apesar de sempre escutar todos os seus filhos, admito que meu contato com Lou Reed foi um pouco tardio. Era 2007, quando estava ensinando meu pai a ‘ripar’ CD’s para o computador (em um passado não tão distante no interior, onde a velocidade da internet colaborava pouquíssimo para downloads), e resolvi testar com um CD em que eu não conhecesse. Dentre aqueles vários discos ali, um me chamou atenção para ser o ‘cobaia’ : era New York, do Lou Reed. É claro que eu já havia ouvido falar de sua obra (afinal, não há como ser fanático por Jesus And Mary Chain sem ouvir falar em Velvet Underground), mas nunca havia me despertado a curiosidade. Porém, a partir da primeira faixa (Romeo Had Juliette), vi que seria arrebatado para sempre pelo som de Reed.
Desde então, pouco a pouco fui me tornando mais um fã do trabalho de Lou e, fazendo o caminho contrário, descobri o ‘Disco da Banana’. Era como se meu conhecimento musical estivesse expandindo para uma dimensão que eu jamais esperava; junto com a paixão pelo Velvet, veio de vez meu amor pela Música. Em um mundo tão saturado de Beatles, Doors e Led Zeppelin (que de forma alguma são ruins, pelo contrário), estava diante de meus olhos toda uma vertente que parecia dar sentido a todas as noites passadas em claro assistindo MTV. Finalmente havia encontrado a raiz de todas as bandas que eu gostava. E assim foi com White Light/White Heat, Velvet Underground (1969) e Loaded. Sonic Youth e Jesus agora faziam muito mais sentido para mim.
De toda forma, não conseguia ver o Velvet sem enxergar por trás a genialidade de Reed. Sei que Moe Tucker, Sterling Morrison e principalmente (enfoque nesse ‘principalmente’) John Cale tinham suas peculiaridades, mas a minha paixão por Reed ia além de seu trabalho como canalizador do Underground em forma de música. Sentia, pelo Velvet, que ele tinha muito mais a falar. E, retornando pela forma de como eu conheci, explorei sua carreira solo, sem me prender a New York e Transformer. E assim, conheci Berlin.
Admito que muito de minha curiosidade de Berlin foi devida à paixão de Ian Curtis pelo disco (assim como pelo The Idiot, do Iggy Pop), mas quando percebi, estava totalmente mergulhado no universo de Jim e Caroline. Simplesmente perdi as contas de quantos sábados passei em casa ouvindo Berlin no repeat, acompanhando todos os acontecimentos, as desgraças, as pílulas, os two-bit friends de Jim, a separação, as crianças, o frio, os desastres...e  sim, até hoje eu devo chorar se ouvir The Kids atentamente. Berlin faz qualquer álbum do The Cure parecer piada para adolescentes chorões e cortadores de pulsos. Além de tudo, me fascinava a facilidade que Lou Reed tinha para reciclar suas próprias músicas (Berlin foi criado a partir de várias sobras do Velvet), e transformá-las em um dos Opera Rock mais lindos que já existiu.

Poderia citar álbum por álbum de sua carreira solo, ou então destrinchar cada disco do Velvet, mas creio que isso não é necessário. Lou Reed é lenda por si só. E talvez mais um deslocado em um mundo que definitivamente não foi feito para aceitá-lo. Sempre notei, ao ouvir discos como The Blue Mask ou Legendary Hearts, que tinha a impressão que Lou Reed cantava sozinho, como um trovador de uma cidade solitária. Contudo, mesmo se considerando um Average Guy, Reed nunca teve medo de se sentir livre. E de fato, era livre. Não teve medo de fracassos comerciais, não teve medo de casar durante anos com um travesti, não teve medo de sair da proteção de Andy Warhol, não teve medo de mostrar ao mundo a New York que os filmes e os Eua sempre tentaram esconder. Reed escrachava, por meio de suas letras, a falsa idéia de ‘Sonho Americano’, que tentam cuspir em nossa cara desde que nascemos. Não poderia ser diferente, de alguém que veio do Brooklyn.
A perda de Lou Reed não foi apenas uma perda para fãs de Velvet e de sua obra em particular. Foi-se embora um dos maiores mitos da música, que demonstrou infinitas possibilidades frente a um cenário musical que se via preso em “eu quero pegar na sua mão”, ou “surfar é bom demais”. Reed abriu caminho para toda uma geração – de Bowie a Nirvana, de Iggy Pop a Sonic Youth, de Jesus and Mary Chain a Strokes. E este legado se estenderá por muitos e muitos anos, enquanto existirem cópias de Velvet Underground and Nico neste mundo.

Ps. Quando o Morrissey morrer, talvez seja melhor nem me avisarem.  


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Maestro do Canão

Primariamente, sou defensor da ideia de que quem gosta de música deve conhecer todos os gêneros. Digo isso em relação aos roqueiros ortodoxos, que ficam presos ao estilo, perdendo a oportunidade de ouvir muita música boa de outros estilos. Nessa mesma linha de pensamento, admito que sempre achei o Rap muito interessante, especialmente o aspecto crítico/sociológico que as letras carregam (pelo menos do "bom rap", ao contrário de vários rappers que só sabem cantar músicas que ostentam riqueza). Assim, sempre gostei bastante de Public Enemy, Run DMC, Beastie Boys (R.I.P MCA) e é claro, Sabotage.


Enfim, poderia escrever linhas e linhas falando sobre a morte de Sabotage, a produção de seu filme, os filmes que o Rapper participou, o absurdo que foi seu assassinato, mas como isso (ainda) é um blog de música , vamos falar sobre a métrica e conteúdo de suas letras, e o legado que o rapper deixou. O "Maestro do Canão" tinha um modo único de compor, onde usava poucas conjunções em suas frases, além de rimar palavras com palavras diretamente, não se prendendo muito ao estilo "rima somente ao final de estrofe". Ex:

Verdade Brown o gosto tá cruel o crime não é mel
O medo vem do céu como foi cruel
 De arrec-cléu click-cléu o povo é algo fel  (Mun-rá)

Seu único álbum lançado, Rap é Compromisso (2001), indica certa maturidade para o cenário de Rap nacional, vez que não falava sobre prisão, tráfico e demais rótulos que infelizmente (e também erroneamente) são atribuídos ao rap, mas dizia sobre libertação - e libertação pelo rap! Em várias músicas, Sabotage deixa claro que a criminalidade não compensa, e pauta pela construção de uma comunidade melhor. Na faixa-título Rap é Compromisso, Sabotage conta a história de um criminoso, e todas as mazelas qual o mesmo se passava. O nome se tornou um jargão entre fãs de rap (assim como "Respeito é pra quem tem")


Não só versando sobre sua libertação do crime pelo rap, o rapper também denuncia alguns episódios de agressão pela polícia, e como as pessoas de situação financeira desfavorável são vistas pelo Estado. Além disso, em Cocaína o rapper diz sobre os perigos da droga. Ao todo, o autor utiliza de assuntos realmente relevantes, de modo que as suas rimas não só sejam combinações tônicas, mas também que toquem o ouvinte, seja pela beleza da métrica, seja pelo conteúdo da letra.

Hoje, completando 10 anos de sua morte, o cenário do rap nacional lamenta sua falta. Vemos em ascensão Emicida, Criolo, dentre outros, e podemos ver claramente a influência do senhor do Canão. Se o rap nacional hoje é visto de outro modo, muito disso é devido ao trabalho de Sabotage (e Racionais também, é claro). Por mais que isso pareça clichê, Sabotage ainda vive no rap, e ainda viverá por muitos anos, como um dos ícones e um exemplo a ser seguido. O rapper mesmo no auge não fugiu de suas origens, mantendo sua humildade e a preocupação em deixar o lugar onde morava melhor - mesmo com sua única arma, o rap.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Releituras

Já deve ter um tempo considerável que eu não posto nada aqui (o que não significa que estou ouvindo pouca música, porque deve ser uma das poucas coisas que ainda me sobram tempo para fazer, já que dá para ouvir executando outra tarefa), mas aproveitar esse tempinho aqui para falar um pouco sobre releituras de músicas.

Sempre gostei muito de releituras e versões novas de músicas que já conheço, principalmente porque costumo enjoar das versões originais. The Cure mesmo é um ótimo exemplo disso, ouvi tanto na minha adolescência que atualmente só consigo escutar as versões demos, algum bootleg de boa qualidade ou alguma releitura de suas músicas. A releitura é interessante pois a partir dela percebemos como outro artista enxerga a música, o que gostaria de mudar, apresentar um novo foco sobre a música, dentre outros fatores.

Acidentalmente, encontrei uma releitura completa de um de meus álbuns favoritos de Brian Eno: Taking Tiger Mountain (by Strategy), regravado por Hilsinger & Beatty. Como a primeira música que eu ouvi foi The True Wheel - minha favorita do disco, a princípio não gostei muito, pois soou um pouco bizarro e o riff hipnotizante do final da música parecia um pouco morto. Entretanto, depois descobri que se tratava de uma releitura de todo o álbum, e assim as coisas começaram a fazer mais sentido, já que a releitura seguia uma certa "lógica".

Apresentar uma proposta nova dentro dos trabalhos iniciais de Eno é uma tarefa um pouco difícil, já que os álbuns em si são uma nova proposta para a música.Entretanto, Hilsinger e Beatty conseguem fazer novas canções realmente cativantes, de modo que uma voz feminina pudesse se encaixar no meio dos sons produzidos por sintetizadores. O trabalho foi elogiado pelo próprio Brian Eno.


E hoje mesmo acabei lembrando que Beck em 2009 estava fazendo o mesmo com o Velvet Underground And Nico, uma tarefa bem mais audaciosa. Consegui entender a proposta de Beck, de fazer algo experimental, mas acho que ele poderia produzir um trabalho ainda mais consistente. Senti falta de algumas "camadas" em determinadas músicas; deu a entender que ele ficou com preguiça de fazer os instrumentos necessários e chutou o balde. Mesmo assim, merece um certo destaque. Se fosse fácil fazer igual ao lendário disco da banana, haveriam várias bandas iguais.

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[momento esquecimento]

Esqueci de comentar que fui ao show de Bob Dylan. Já não esperava que seria um show bom, afinal, ele está velho, sem voz, e é do tipo de músico marrento que não canta as músicas antigas em um show. Bom, foi pior do que eu pensava. A melhor parte do show simplesmente é ver o Bob Dylan, para depois contar aos amigos, filhos, netos, etc que foi ao show de uma lenda do rock. Sua voz está beeeeeem ruim, e não tem nada de cativante em seu concerto. O único momento empolgante foi quando ele tocou Like a Rolling Stone, mas não porque ele cantou - ele não cantou - e sim porque a plateia foi a loucura, berrando o refrão como se fosse a última frase a ser dita na vida. Gosto muito de Dylan, sou um dos que defendem sua imprescindibilidade na história do rock, mas não vou ser hipócrita de dizer que foi um show maravilhoso e mágico.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Dicas para feriado

Antes de postar assim, eu já tinha escrito 70% de um post ensinando 'como apresentar uma banda a alguém', mas achei o conteúdo extremamente fraco, e resolvi mudar de assunto. Não nego que quando penso em música, não consigo imaginar muita coisa a não ser "Mês que vem tem show do Morrissey", mas vou deixar para falar disso depois que assistir o show.

[Tentei escrever algo sobre o carnaval, mas não saiu nada também, até porque eu não gosto muito dessa data e não conseguiria escrever nada que não ridicularizasse a data]

Bom, tudo bem se eu não escrever nada, né? De quebra, vou indicar 3 discos interessantes para se escutar até o fim da semana, de acordo com o meu padrão sinestésico de música/cor:

Verde:   Marvin Gaye - What's Going On. Quando escutei esse a primeira vez, acho que ouvi mais umas 4 vezes seguidas, de tanto que achei sensacional. As letras também são muito boas, aquela coisa meio 'quê que tá havendo com o mundo', saca? World Music de primeira.

Cinza: Nico - Chelsea Girl. Bem tranquilo, com a voz maravilhosa de Nico. Ideal para a quarta-feira de cinzas mesmo, deitar e pensar na vida. These Days é a música.

'Mármore' (essa cor existe?): Jesus And Mary Chain - Automatic.  Baterias eletrônicas mega-datadas, guitarras afiadas, a voz distorcida de Jim Reid. Nocie Pop para quem quer ouvir um pop de qualidade, mas com uma pequena pitada de agressividade.







quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Cereja do Bolo

Lembro que antigamente eu costumava dizer que a garota perfeita seria aquela que ouvisse Jesus And Mary Chain. É claro que, com o passar do tempo, eu vi que ninguém escuta JAMC (e por isso não há garotas perfeitas!), e comecei a estender a perfeição a garotas que ouvissem My Bloody Valentine. É óbvio que piorou, mas é somente uma brincadeira. Sei que, ultimamente, a garota perfeita pode se inserir também na categoria 'Escuta Sarah Records'.

Mês passado, me apresentaram à Sarah Records. Admito que nunca fui um fã de música muito preso à selos musicais, apesar de implicitamente entender a tendência da maioria deles, ou saber quais bandas pertencem à determinados selos, etc. Mas a Sarah... acho que foi amor à primeira vista, quer dizer, escutada. Parece até coisa de outro mundo imaginar que existiu uma gravadora entre 87 e 95 que produziu 100 singles da maneira mais pura do mundo.... é como se existisse uma gravadora que desse continuidade ao C-86 de maneira quase secreta até aos olhos dos amantes do estilo, e aparecesse agora. Quando eu ouvi pela primeira vez, o que eu pensei na hora foi exatamente "por que eu não conheci isso antes"?

É difícil bandas saberem fazer canções sobre inocência adulta, sem que soe retardado (vide a maioria das canções).  Mas as bandas da Sarah conseguem fazer isso com perfeição. Another Sunny Day, Sea Urchins, Brighter.... é como eu sempre digo: atrás das paredes de som, há uma proposta extremamente pop, uma tentativa de mudar o que escutamos nas rádios por algo mais divertido e até mais suave, apesar dos 'fuzzes'. Através dos singles, podemos perceber claramente as influências e o cenário musical na inglaterra na virada dos anos 80/90. O Jesus And Mary Chain com seu PsychoCandy abriu portas para outras bandas que jamais sonhariam em fazer sucesso com um pop barulhento, ou qualquer coisa que soasse alternativo, enquanto que as melodias e as letras dos Smiths encorajavam as bandas a tratarem de novos temas em suas canções.

Para o pessoal que não viveu a época (tanto quem não viveu na Inglaterra, até como para pessoas que nem nascidas nessa época eram, como eu mesmo) é um pouco difícil de entender o contexto, principalmente porque estamos acostumados a ver o produto da 'geração alternativa' (isto é, a explosão do Nirvana e todos os discos míticos de 91). Mas é legal observar como surgiam bandas rapidamente na Inglaterra, mesmo com o boom do dance e do house. Enquanto a Creation estava preocupada com a sua Haçienda e os Happy Mondays da vida, Sarah lançava pequenos compactos, de bandas que nunca serão ao menos reconhecidas. Dos singles que escutei, não teve um que eu possa ter julgado como ruim, e é engraçado porque não soam tampouco repetitivos, mesmo com a limitação toda. A verdade é que não é tão simples assim sair fazendo wall of sounds, tem uma certa 'lógica' no fundo das canções.

Para um fã da C-86 e da indie music (de verdade) como eu, é uma satisfação imensa saber que houve algo como a Sarah Records. E o mais interessante foi o fato de terminarem após o lançamento de 100 singles, com os dizeres:

"a day for destroying things...

... because when you were nineteen

didn't YOU ever want to create something beautiful and pure
just so that one day you could set it on fire
and then watch the city light up as it burned?
Didn't you want to do that every day of your life?

Nothing should be forever.
Bands should do one single and then split-up,
fanzines finish after one flawless issue,
lovers leave in the rain at 5am and never be seen again -

Habit and fear of change are the worst reasons for ever doing ANYTHING.

Stopping a record-label after 100 perfect releases
is the most gorgeous pop art-statement ever
and says more about pop-music than any two-part digipak
limited-edition coloured-vinyl 7"
grimly authentic lo-fi ten-track EP
(or any other marketing gimmick)
ever will.


Sarah Records is owned by no-one but us,
so it's OURS to create and destroy how we want
and we don't do encores.

We want to burn in bright colours and go pop,
to be giddy, impulsive and silly,
to kiss people in new places -
EXQUISITELY
- and dare to tear things apart.

The first act of revolution is destruction
and the first thing to destroy is THE PAST.
scary
like falling in love
it reminds us we're alive

Sarah Records 1987 - 1995"



Isso é tão.... the pains of being pure at heart, não é mesmo? O mundo anda tão corrompido, com gustavo lima e você que o próprio pessoal da Sarah Records previu isso e preferiu parar com tudo, antes que a própria Sarah se corrompesse. Quem sabe um dia, como diria o breno, as pontes de Bristol voltem a brilhar e haja algo parecido com a Sarah Records!


baixe singles da sarah records em www.amorloucobr.blogspot.com (que por sinal, é um blog excelente!!!)


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[momento você deveria ouvir....]

A Coletânea Não São Paulo I, de 1987!

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Próximo Post: BOB MARLEY!!!!!


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UMF 2011

Sei que já está um pouquinho tarde para escrever sobre o UMF, principalmente porque a maioria das matérias saíram no dia mesmo. A diferença é que o pessoal ganha pra ficar escrevendo e trabalha com isso, e eu não! Assim, vou escrever hoje mesmo, que foi quando sobrou um tempinho para falar sobre.

De festivais de música eletrônica, o máximo que eu já tinha chegado perto é dessas festas que começam normal e terminam em rave (Isto é, na minha cidade natal são as típicas festas que dizem ser de rock, você chega lá encontra uma micareta danada e no final todo mundo louco pagando de trancer na pista). Ano passado eu quase animei ir na tal da Playground por causa dos brinquedos, e ainda bem que não fui porque descobri depois que tinha no máximo uns 4, e dos muito toscos. Assim, Lá fui eu, totalmente inexperiente no maior festival de música eletrônica do Brasil.

É claro que eu só estava indo para ver o New Order. Nem conhecia direito o resto das bandas ou DJ's, e pouco me importava quem estaria lá. Como fã de N.O. e Joy Division, seria muito difícil que qualquer nome no line up do festival não passasse por mim como irrelevante. Entretanto, já que eu estava lá, seria uma boa hora para entender como funcionam esses festivais, a lógica, orgnanização, público, etc. Vamos lá:

* Local:    Sambódromo do Anhembi. Localização ótima, perto da rodoviária, em um lugar asfaltado, impossibilitando lamaçal. No início tive algumas dúvidas sobre a acústica do local, sobre a alocação de pessoas na hora dos shows, etc. Mas correu até tudo bem. A organização foi impecável. Distribuíram porta bitucas, colocaram um grupo de pessoas à disposição para mostrar o processo de reciclagem dos lixos, além de coleta seletiva. Nem precisa dizer que pareceu muito mais sustentável que o SWU, né. Falando nisso, os preços não estavam tão abusivos (sempre são, né, mas pelo menos estavam a nível de festival mesmo). Disponibilizaram algumas cadeiras para o pessoal sentar, o que foi uma boa na hora de comer, porque ninguém aguenta ir em um festival e até na hora de comer ficar em pé.
Os palcos ficaram organizadinhos,  telões bacanas, etc. Não vi nada a respeito, mas desconfio que o pessoal do Planeta Terra Festival esteve envolvido na organização. Foi bem o estilinho.

* Público:   Altamente variado. Como sempre, tinham os metidos a moderninhos e pagantes de alternativos, que demoram 19 horas só para escolher a camisa que vão ao festival. O pessoal que queria ver o New Order geralmente era mais velho e mais sério. No mais, um público muito bonito e produzido, que foi para ver o show dos DJ's. Nas área vip, riquinhos paulistas e 'vips' esbanjando ... mediocridade. (É claro que não dá pra generalizar)

* Shows:

Copacabana Club: Acho que essa banda está cada vez melhor. Pena que foi a primeira banda a tocar, então não tinha um público muito grande. Gostei mais ainda desse show do que a primeira vez que os assisti, aqui em Belo Horizonte (até porque não teve problemas de som como houve na última vez).Acredito que daqui um tempo terão uma projeção ainda maior, principalmente por causa do pessoal da banda, que parecem ser muito simpáticos

Soulwax: Um eletrônico beem agressivão, curti. Lembro que antes do show começar, eu disse que "ia pular para não estressar ao esperar o New Order", mas acabei pulando de verdade. O pessoal sabe fazer som pesado com sintetizadores, pesado ao ponto de até incomodar, algumas vezes. O único problema é que as músicas soavam muito parecidas. Se for para fazer algo parecido, deveriam ser mais minimalistas, soaria melhor. Mas mesmo assim, gostei muito e quero até ouvir melhor posteriormente.

New Order: bom, para escrever sobre o new order, preciso separar meu eu crítico em 2.

1- Como fã de Joy Division: Fantástico, vi 2 dos membros da formação original da banda, tocaram Ceremony, uma das últimas músicas do Joy. Uma pena Peter Hook não estar mais na banda, e eu não ter visto Stephen Morris passear no meio do povo antes do show começar, acho que até infartaria.

2- Como fã de New Order:  Simplesmente um desrespeito com os fãs. Primeiramente, por saírem anunciando por aí que New Order seria uma das atrações principais. Não foi nem longe disso, a banda tocou como uma iniciante, 'abrindo' show para DJ's que na maioria nem tem música própria direito. Isso é quase inconcebível  dentro do mundo da música eletrônica. Depois, que os roadies e a organização demoraram um tempão para arrumar os equipamentos em cima do palco, e ainda por cima fizeram tudo errado. Quando  tocaram 'crystal', não deu para ouvir nem a voz de Sumner direito. Aos poucos, foram organizando o som, até porque a banda reclamava em cada intervalo... Gillian Gilbert, multiinstrumentista  que voltou pra banda, fez questão de manter seu jeitinho blasé e nem cumprimentar a plateia, que berrava seu nome. Quanta chatice. Até Jim Reid deu um tchauzinho, quando veio em 2008 no brasil com o JAMC...
Enfim, eu esperava pelo menos 15 músicas, e eles tocaram 9. Tudo bem, que tocaram os sucessos e tal, mas não vingou. No momento que saíram do palco, pensei na hora "aaah, vão voltar e tocar Love Will Tear Us Apart", mas nada. Foram embora e nem voltaram. Para quem viajou 500km pra ver só uma banda, foi um pouco decepcionante.

Death From Above 1979: Apesar de ser uma banda famosinha no meio alternativo, nunca tinha escutado antes. O máximo que eu conhecia era a citação da música do CSS (ótima música, por sinal). Mas, sinceramente, achei MUITO RUIM. Deu a impressão que são dois malucos que não sabem tocar nada e tentam ser os novos sonic youth fazendo barulhos sem sentido e sem um pingo de harmonia musical. Péssimo, péssimo. Nem mesmo a presença de Igor Cavalera no finalzinho me fez trocar de opinião. Não consegui nem assistir o show todo, de tanto que eu achei fraquinho. Aliás, estou cansado dessa mania que o pessoal está de fazer esse tipo de banda (faltando instrumento, tipo kills, white stripes, etc), somente alguns tem o dom e a verdade é que DFA1979 não tem. Coitados.

Dj's em geral: mesma coisa de sempre, mas pelo menos têm um gosto melhorado para samplear, o que faz um pouco de diferença na pista. Você realmente sente vontade de dançar, é uma espécie de lavagem cerebral. Quem toma doce para 'ficar doidão' nesses eventos particularmente vacila muito, porque a própria frequência da música já te deixa um pouquinho alterado (falo isso porque nem bebo e com 15 minutinhos já fico dançando que nem a maioria da galera que está Loaded).

Swedish House Mafia: Sobre esse trio de Dj's, tenho que escrever separadamente, porque realmente me chamaram a atenção. Sobre house music (O QUE CHAMAM HOJE DE HOUSE MUSIC NÉ, porque a impressão que se tem é que a clássica batida 4/4 da música eletrônica se corrompeu em um bate-estaca chato, na maioria das vezes), não entendo muita coisa, porém fiquei pasmo com o tanto que a galera pira nos caras. As músicas nem começavam, e o pessoal já estava berrando que nem malucos (a última vez que eu vi isso foi no show do radiohead). Tudo bem que metade das músicas eram versões remix de outros cantores, mas o ritmo era até bom. Na verdade, me senti agraciado por ver DJ's tão bons no primeiro festival de música eletrônica que eu fui. Aposto que 80% dessa galerinha aí que se acha a 'turma da rave', não conhecem Dj's realmente bons.

* Atmosphere:  A melhor possível. Galera alegre, feliz, pulando de um lado pro outro (com exceção dos moderninhos né) e a grande diferença do festival: mesmo sendo de música eletrônica, luzes, e tudo o mais, não tinha a tal da 'pegação'. Acho que se a maioria dos festivais de música eletrônica e afins fossem nesses moldes, provavelmente eu seria uma pessoa mais sociável, hahaaha. Admito que me deu até vontade de ir no UMF 2012, caso tenha. Mas dessa vez, que pelo menos sejam sinceros e não anunciem bandas que tocarão normalmente como headliners, ou então que não podem totalmente o show destas.

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Próximo post ou eu devo escrever sobre sertanejo universitário, ou sobre a Sarah Records (minha paixão instantânea) ou sobre os dois, sei lá.






domingo, 20 de novembro de 2011

Balanço Geral SWU dia 14/11

É muito difícil fazer um 'relatório completo sobre o SWU dia 14/11'. E é por isso que EU NÃO VOU FAZER ISSO, mas vou pontuar algumas coisas sobre o evento, desde a excursão até os shows que eu assisti.


Sobre a excursão:

Fiquei muito satisfeito com a UFMG rock. Para ser sincero, foi a primeira vez que eu fui para um show em um ônibus decente, de modo que eu conseguisse dormir que nem gente e de maneira confortável. No início, eu pensei que a viagem seria chata, porque no meu ônibus parecia que só tinha metaleiro (tive certeza depois que colocaram o dvd do Dio para rodar), mas como eu dormi, nem vi o que aconteceu. Cheguei em Paulínia totalmente revigorado, porque consegui fazer uma boa viagem. Lembro que no planeta terra 2010 eu já cheguei morto por causa do ônibus (tanto que no final eu já estava mais exausto do que tudo). O único vacilo que eu cometi foi de não pedir no dia do pagamento da excursão para ir no mesmo ônibus que meu amigo (Loro), o que foi ruim e bom ao mesmo tempo. bom porque se nós tivéssemos no mesmo ônibus, iríamos conversar a viagem inteira.

Sobre os shows e o evento em si:

Muito grandinho o lugar, né. Isso foi legal, porque deu para distribuir bem todas as coisas que o evento comportaria. Os únicos problemas foram a demora na entrada (que me fez perder o show todo dos Raimundos), a chuva (que querendo ou não, é culpa dos organizadores, já que essa época do ano chove sempre) e o lamaçal (não lavei meu tênis até agora, coitado). Sobre a chuva, eu tentei comprar uma capinha para disfarçar, mas nem adiantou muito, já que choveu o dia inteiro e a capa não cobre a perna toda. A jogada de mestre verdadeira foi a dica que o Marcelo Rodarte me deu de colocar uma sacola no tênis. Aí, pelo menos, meus pés ficaram ilesos e aguentaram todo o festival.

Creio que me surpreendi em todos os shows. Como disse, queria  ter visto o Raimundos todo (cheguei só na hora de Eu quero ver o oco). o sistema de colocar um palco na frente do outro foi muito inteligente, porque assim se a pessoa tivesse um mínimo de inteligência, ela conseguiria raciocinar de um jeito a ver o show de sua banda favorita na frente do palco. Mas sempre tinha a manezada que saía correndo de um lado para o outro pra tentar pegar grade, aí é complicado... Sobre os shows que eu assisti , vão alguns comentários breves:

* Duff McKagan Loaded - normal. Vi um pedaço dele sentado na arquibancada, achei até bastante regular, entretanto não me empolguei, até porque não conhecia nenhuma música, exceto Atitude, um cover dos Misfits que rolou no finalzinho. Nessa hora eu já estava até em pé, na frente do palco esperando o BRMC aparecer.

* Black Rebel Motorcycle Club - A apatia, os rostos fechados, tudo isso eu já esperava. Heh, eles são altamente influenciados pelo Jesus and Mary Chain, MBV, e afins, é óbvio que tocariam o show inteiro olhando para baixo. E olha que ainda no final o baixista desceu até a galera do gargarejo. Achei um show legalzão, bem completo, principalmente por se tratar de um power trio. Faltaram algumas músicas, mas... curti mesmo assim.

* Down - Phil Anselmo. Isso resume toda a porrada que foi o show. Comecei a ter medo do cara depois que ele sangrou a testa de tanto bater o microfone nela. Mas assustei mais ainda quando mostrava a plateia e o pessoal fazendo moshing no telão. Dava medo até de olhar, aquele tanto de cara parrudo, careca, tatuado até na gengiva, brincando de 'lutinha'. O show deu para dar um up no pessoal, agitou muito mesmo, sem contar que tocaram trechos de pantera, o Duff acabou fazendo uma pontinha no palco também.

* 311 - Não vi, porque eu queria ficar na frente para assistir o sonic youth. Mas de longe, pareceu que foi meio tosco, sei lá.

* Sonic Youth - é meio complicado eu escrever sobre SY, porque qualquer coisa que eles fizessem no palco, eu como fã de longa data acharia o máximo. Foi interessante porque até os vendedores de cerveja pararam para assistir o show (isso mesmo, eles abaixaram a 'bandeirinha', ficaram quietinhos, assumiram que queriam ver o show para qualquer um ouvir). Li em alguns sites, e ouvi alguns comentários que o show fora mediano. Bom, particularmente acho que o pessoal que disse isso não tem muito conhecimento sobre SY. Os caras praticamente só tocaram hits!!! É o que eu sempre digo, metade do pessoal que diz gostar de sonic youth fala para 'pagar de doidão alternativo', porque o show foi sensacional, nos parâmetros da banda. É ÓBVIO que poderia ser melhor, mas temos que entender que eles já perderam um pouco do pique (quase 30 anos de banda), e mesmo assim eles continuam a fazer o clássico experimentalismo com asa guitarras e baixos. Thurston Moore sempre surpreende com suas gracinhas (adorei a 'surra de cabo' que ele deu na guitarra).
Melhores momentos do show: Schizophrenia (que Moore disse chamar 'Sister') e Teenage Riot, que eu mesmo não aguentei e puxei um empurra-empurra no canto direito do palco (na filmagem da multishow dá pra ver nitidamente!). Fãs de Sonic Youth sabem o que Teenage Riot significa no cenário alternativo do rock.

* Primus - Não vi, mas parecia que o show foi bacana. Nessa hora eu fui comer, estava exausto.

* Megadeth - vi algumas músicas, bem de longe. Apesar de ser um show agitadão, eu não animei a ver de perto, até porque nem era muito o meu espírito do momento. Melhor deixar para os metaleiros se mataram ao som de Symphony of Destruction.

* NÃO PRECISO NEM FALAR QUE NÃO CHEGUEI NEM PERTO DE SHOW DO SIMPLE PLAN, NÉ.

* Stone Temple Pilots - Muito bom o show! Deu para eu dar uma 'esquentada', já que eu estava altamente ensopado e o frio começava a pairar sobre o festival. Concordo com as críticas que eu li que o show começou meio morno e foi melhorando depois, porque realmente foi assim. Parece que no começo o pessoal da banda estava meio desanimado, e foi agitando com o tempo. Músicas como 'Plush', 'Big Bang Baby' moveram o público.

* Alice in Chains - A galera adorou (com exceção dos fãs hardcores que ainda não aceitam o novo vocalista), mas eu passei muito frio no show, a ponto de sair pulando até com músicas mais lentas, para esquentar. Minha capa de chuva já tinha ido pro saco uma hora dessas, estava ensopado, etc. Assisti o show mais de trás, e para ser bem sincero, eu esperei que fosse ser melhor, mas mesmo assim foi um bom show.

Antes de faith no more, um vídeo sobre sustentabilidade para fingir que o festival é feito para isso e ... bom, pelo menos a trilha sonora foi O sal da terra , de Beto Guedes. tá valendo.

* Faith no More - Eu nunca gostei e ainda não gosto de FNM. Porém, admito que o show deles foi um dos mais animados que eu já assisti. O tal do Mike Patton tem uma presença de palco mística, e soube aproveitar bem o fato de ser headliner para deixar o público muito satisfeito. Continuo não gostando de faith no more, mas agora entendo porque a banda tem tantos fãs. O show deles é maravilhoso, a interação com a plateia é nota 10 (os caras falam português, caramba!!!!), e o momento que cantaram Epic foi literamente épico. Ganharam meu respeito a partir desse show, sinceramente.

Por fim, um show de fogos de artifícios, para terminar o SWU, e a volta para casa...

Outros fatores:

SUSTENTABILIDADE PARA QUEM? : nunca me senti tão extorquido na minha vida, principalmente no momento que me cobraram 7 reais em uma coca cola. Nunca pensei que usaria essa frase, mas esse capitalismo selvagem é tenso, viu (junto com a maldita teoria de Adam Smith da oferta x demanda). Como disse meu amigo Loro, seria melhor que cobrassem o dobro no ingresso do que furarem os olhos do pessoal na hora. Além disso, não vi nada de sustentabilidade no evento. Planeta Terra me pareceu muito mais, entregando porta-bitucas de cigarro, preços mais acessíveis, etc.

SWU definitivamente não é um festival para estudantes. É tudo muito caro, altamente burocrático, etc. Isso porque eu fui de ônibus, porque o que eu vi do pessoal reclamar do estacionamento...

Por que os fóruns foram fechados ao público normal?

- Ah sim, tiraram a área vip lá na frente (o que era um absurdo!)

Apesar de tais defeitos, é preciso admitir que o line-up do SWU foi muito superior ao do Rock 'n Rio. Os shows (pelo menos do dia 14) respeitaram bem os horários previstos, e o fato de vendedores ambulantes venderem no meio da galera (mesmo que muito caro) é uma mão na roda. As placas indicativas pela estrada devem ter ajudado muito também o pessoal que estava indo para o evento. No final das contas, foi um dia muito rock n' roll, com ótimas bandas, ótimos shows. Vamos ver o que SWU 2012 aguarda, e se consegue manter o seu bom nome.

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Por fim, fico triste por não poder ir ao New Order, e fico na expectativa da confirmação do line up para o Lollapalooza. Sinceramente, a lista de bandas que estão mostrando na internet ainda soa meio fraco para um festival famoso internacionalmente....


domingo, 30 de outubro de 2011

Obra de Arte

O que posso dizer, simplesmente é: quem não enjoou de tanto escutar a música "Morango do Nordeste", praticamente não viveu 1999. TODOS OS CANTORES, TODAS AS RÁDIOS, TODAS AS EMISSORAS DE TV, INCLUSIVE O PAPAGAIO DA SUA AVÓ só tocavam essa música, de modo que eu tive até minhas dúvidas se ela substituiria o nosso hino nacional. Tive muito medo, admito.

Tudo bem que vários anos já se passaram desde o seu sucesso, mas "Morango do Nordeste" ainda se mantêm na boca do pessoal. Qualquer um que soltar meia estrofe dela, pode preparar que vai aparecer um gente boa pra terminar de cantar. Na verdade, músicas desse nível deveriam passar longe do Insono, mas, como nós temos um 'compromisso com a verdade' (aonde que eu vi isso mesmo?), pelo menos análise da letra eu terei a obrigação de fazer. Lá vai:


Morango do Nordeste

 (desconheço o autor, mas se eu fosse colocar o nome de todos os intérpretes... a internet não tem bytes suficientes para suportar tamanha informação)


Estava tão tristonho quando ela apareceu

Até aí beleza, dá pra aceitar. O cara tava na fossa, provavelmente abandonado pela antiga paixão, bebendo em um boteco sozinho em plena quarta feira, quando a 'morango do nordeste surgiu'. Não dá pra falar nada, por enquanto.

Seu olhos que fascinam logo estremeceu

Estremeceu o quê, caramba? Não dá pra saber se os olhos fascinam logo, ou se fascinam, e logo estremeceu. Só pode ser de propósito, pra não ter sentido mesmo...

Os meus amigos falam que eu sou demais

O QUÊ? Quando eu escuto isso eu só consigo imaginar um bando de amigo puxa saco falando: "nossa cara, você é demais, o maior pegador, o rei da gente, por favor, nos ensina a ser como você!" E mesmo assim, com os amigos dizendo que ele é demais, ele assumiu no começo da música que estava tristonho! auto-estima pior que a minha, viu....

Mas é somente ela que me satisfaz

Sem palavras para descrever isso. Depois que todos os seus amigos passam horas fazendo elogios, ele diz: "não, somente ela que me satisfaz". Cara merece ficar na fossa mesmo. Os amigos tentando dar uma força (lembram, ele estava tristonho), mas não serviu de nada...

É somente ela que me satisfaz

Todo mundo já sabe...

È somente ela que me satisfaz

Só pode estar tonto, né, pra repetir isso várias vezes.

Você só colheu o que você plantou

Pois é. Acredito que isso seja no fundo, uma paráfrase à Perfect Day, de Lou Reed, só para reforçar a ideia. Porque se não for, não tem nada a ver com a música. Quem colheu? Quem plantou?!?!?!?

Por isso que eles falam que eu sou sonhador

Deu vontade de parar aqui. Tá de brincadeira, só pode. NÃO TEM NADA A VER!!!!! Então quer dizer que seus amigos que dizem que você é demais, após verem que quem satisfaz seu ego é só a mulher que chegou com o olhar 43, dizem que você é um sonhador por dizer que só colheu o que plantou? Você não é um sonhador, é um lesado, isso sim!

E digo o que ela significa pra mim

Vamo ver, gente, o que que ela significa para esse cara que é demais...


Ela é um morango aqui no nordeste
 
Esses morangos do nordeste, vou te contar, viu.....


Tu sabes não existe sou cabra da peste

Eu não sei de nada, depois dessa música eu não sei mais nada! Se você tá falando que é um cabra da peste, deve ser mesmo, porque os seus próprios amigos dizem que você é demais. Espero que pelo menos você se satisfaça com suas auto-qualificações.

Apesar de colher as batatas da terra
 
HUAHAUAADHFUASDHHAUSDHFUSDHU não vou aguentar, eu vou morrer de rir aqui huahauahuhuhuhu. A frase não só tem sentido algum, como é simplesmente imbecil pelo fato de não ter batatas do céu. Mas sei lá, né, esse universo é grande, se o cara tá falando de morango do nordeste, vai ver deve ter batatas de marte, ou qualquer outra coisa. Afinal, de um cara que é DEMAIS pode-se esperar qualquer coisa.


Com essa mulher eu vou até pra guerra , (vou)
 
Há, mermão, quanta covardia! Querendo levar mulher pra guerra? E mesmo se não levar, mas tu é burro, hein? Logo você, que estava tão tristonho, etc, depois de arranjar uma mulher vai é pra guerra? será que você realmente é demais, como dizem seus amigos?

Aai, é amor
Aai é amor
É amor
Aai, é amor
Aiaiai é amor
É amor



Tá, eu acredito que é amor mesmo. Só alguém muito apaixonado pra escrever uma coisa dessa.



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 Só deixando bem claro que isso foi apenas uma brincadeira com a música, sem nenhuma intenção de ofender ninguém. Até porque, é tanta gente que canta essa música que eu nem sei quem foi o grande gênio que a escreveu. Provavelmente ele deve ter uma história por trás. Só espero que não seja a que essa música fale sobre a maconha (que foi a interpretação mais bizarra que já vi na vida)
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No mais, aguardo o SWU. E sonho com Stone Roses no Brasil (digo Stone Roses porque eu praticamente desisti de uma vinda do Cure). 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Notas Musicais

Somente algumas notas mesmo, sobre alguns acontecimentos ~~

* É, então depois de 27 anos de casamento Moore e Gordon cismam de separar. Tudo bem, né, vai ver eles cansaram de ficar juntos, de verdade. Sei que isso não tem nada a ver, mas deve ser uma rotina mega estressante, principalmente para um casal, que deve misturar as brigas matrimoniais com os conflitos da banda. O problema é que isso pode significar o fim do Sonic Youth. Agora vejo que valeu a pena eu ter comprado o ingresso para ir no swu. Por favor, alguém, grave o bootleg desse show! poderá ser histórico!!!! Mas não nego que estou preocupado de assistir um show morto, com os membros da banda mal olhando um para o outro, ou tocando com extrema má-vontade. Espero que mantenham a consideração com os fãs.

* Sonic Youth prestes a acabar e Stone Roses anunciando volta! Acho que foi uma das melhores notícias que ouvi recentemente. Taí uma atração que o pessoal organizador do Lollapalooza, Terra ou SWU devem ficar de olho e trazerem a todo custo! Stone Roses é lendário, simplesmente a melhor banda do Madchester (Madchester, não Manchester), algo que a galerinha metida do Oasis nunca conseguiu copiar direito (mesmo imitando até o penteado)... Apesar que ao vivo, sinceramente, eles não são lá essas coisas. A voz de Ian Brown é muito sintetizada, qualquer  que já viu uma mera apresentação deles ao vivo já notou a diferença para os álbuns. Mesmo assim, por mim poderiam sair em uma turnê só de músicas do Second Coming (considerado ruim pelos fãs pela-saco) que eu iria

* Empolguei denovo com Black Rebel Motorcycle Club (não escutava desde 2007), para ir ao show deles no swu, também. A voz do vocalista indiscutivelmente é idêntica à de Jim Reid (Jesus And Mary Chain), ficando ao lado de Crystal Stilts, Raveonettes e outros seguidores como herdeiros do legado pré C-86.

* Será que "Lulu" (é isso mesmo?), o álbum gravado por Lou Reed + Metallica, será bom? Gosto muito de ambos (mais de Reed), e ao contrário de muita gente que fez cara feia quando soube da parceria, achei quase genial. Tanto Metallica quanto Lou Reed são de muita responsa, duvido muito que teriam coragem de reunir para criar um álbum lixo. Todavia, para ser sincero, acredito que os fãs de Metallica irão gostar menos, por estarem esperando um álbum nos moldes dos anteriores [que particularmente acho que não vai acontecer de jeito nenhum]. O que eu queria na verdade era um encontro de Lou Reed com Zé Ramalho, isso que ia ser hilário! Uma disputa do caramba pra ver quem canta falando de maneira mais estilosa.

* Rock n' Rio parece que foi bom, né, apesar dos pesares. Admito que queria muito ter ido no Red Hot no início, mas como também já fui adolescente, meu maior pesar foi perder o show do Slipknot, no dia do metal. como diz Daniel, 'podem me chamar de herege', mas não deve ter nada melhor do que o clima de um show desses caras. pancadaria do início ao fim, pessoal todo pulando, o ritmo da música te agitando, sem contar o tanto que deve ser engraçado a turminha do mal toda de preto black grave folk ultimate gore black super black meu black mais black que o seu black metal se matando, naquele calorão, e todo mundo assando que nem leitão. Isso porque nem citei o palhaço da banda, que só fica fazendo... palhaçada.

* Nunca fui de me empolgar muito com trilhas sonoras de filme, mas curti MUITO a trilha de Velvet Goldmine. Tá, também é óbvio (filme só toca Brian Eno, Roxy Music, Lou Reed, T-Rex). A trilha sonora é tão boa que dá até pra ver o filme sem se horrorizar tanto (se e´que me entendem....)




No mais, é isso. até a próxima!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Soon

Muito bem, em 2011 nós comemoramos 20 anos do lançamento de um álbum que foi um mito para a história do rock alternativo. Até hoje nós podemos notar suas influências nas bandas atuais, e a cada vez mais, o respeito que vem ganhando dentro do cenário musical, assim como a genialidade de seus membros, que hoje seguem alguns projetos paralelos em bandas descoladas. Mas é claro que estamos falando do Nevermind, do Nirvana Loveless, do My Bloody Valentine!!!!

Meu primeiro contato com Loveless foi em 2006. Não me agradou muito, para ser bem sincero. Na verdade, eu estava escutando na mesma época o "Nowhere", do Ride, e músicas como "Vapour Trail" e "Polar Bear" não deixavam eu querer escutar uma outra coisa, mesmo que soasse parecido. Assumo que não consegui escutar muito mais do que uma barulheira na primeira vez que eu ouvi o disco. E olha que eu já estava acostumado com Jesus And Mary Chain...

Mas, ainda bem que a gente sempre cansa de escutar as mesmas coisas e depois tenta dar uma peneirada na própria biblioteca para achar algo que ainda não está tão enjoado assim. Desse modo, quase dois anos depois, eu animei a escutar o Loveless de novo. Confesso que mais uma vez, o álbum passou batido pelo menos ouvidos. Porém, dias depois, o maldito riff de "Soon" insistia na minha cabeça, e eu ficava cantarolando isso o tempo inteiro mentalmente. Era semi-hipnótico. E o pior: eu não lembrava daonde que eu tinha escutado, então eu ouvi o disco mais uma  vez para achar o riff em loop eterno e etéreo. Agora sim, eu (re)descobri o álbum, para ser apaixonado por ele para sempre.

Loveless não é um álbum qualquer, e muito menos um álbum feito para ser de escuta fácil. Ele te requer paciência, certo estado de espírito, e por que não, um aparelho de som decente. Todas as músicas estão repletas de camadas de som, de modo que as vozes de Bilinda e Shields são quase inteligíveis no meio do barulho, se tornando quase notas de guitarra. A verdade é que o som das guitarras é tão magnífico que todos os outros instrumentos e recursos se tornam meros coadjuvantes nesse disco. E não é por menos. Dizem que Loveless foi um dos discos mais caros da história da Creation, além de ser gravado em várias frequências, devido às exigências de Kevin Shields. Imagino quanta música deve ter sobrado, e ele não quis inserir no disco por achá-la "inferior" às outras. De qualquer jeito, é difícil imaginar algum modo de melhorar esse disco.

Cada música possui a sua peculiaridade, o seu toque especial, a sua mistura de shoegaze + dream pop. Sempre que são escutadas novamente, pode-se perceber um detalhe a mais, aquela guitarra distorcida lá no fundo, aquela oscilação na parede de som, ou a alternância na sua música favorita. Além de tudo, Loveless é uma evolução para a própria banda, uma vez que a partir de Loveless (na verdade, iniciou-se em Isn't Anything, o álbum antecessor) o conjunto começava a se desvincular do espírito C-86 que ainda permeava as canções. Não que  sua fase anterior seja ruim - pelo contrário, os singles do primeiro momento da banda são fantásticos, talvez deva escutá-los atualmente até mais que o próprio Loveless - mas My Bloody Valentine passou do patamar de banda notável e influenciada de sua vertente para banda influenciadora, a banda-símbolo do Shoegazing.

É desnecessário falar de cada música separadamente, e nem sei se isso seria certo. Elas constroem entre si um elo, qual são interdependentes. Uma completa a outra dentro do álbum, a ordem está perfeita. A sinestesia que o disco contém em si pode ser percebida claramente quando se fecha os olhos e você só consegue pensar em branco e vermelho. É uma sincronia inexplicável.

Loveless hoje é um marco para o shoegazing, e a influência de My Bloody Valentine continua em expansão, dentro ou fora de seu gênero musical. Principalmente na atualidade, em que as bandas que estão surgindo voltaram a ter consciência que colocar um computador para operar músicas é tarefa de profissionais como Brian Eno, Kraftwerk, ou até mesmo Daft Punk, e não para bandas de rock. E que sim, o barulho pode se tornar música, a nível de obra de arte.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Restou o Kaos

De todas as bandas que fizeram parte de minha vida, dificilmente uma teve uma participação tão sólida como o Anarkaos. Além de ser uma banda da minha cidade, o conjunto representava a mistura das minhas próprias influências musicais e a prova viva em que uma cidade do interior poderia ter sim uma banda de rock maneiro, sem que ficasse eternamente tocando cover de bandas mainstreams do momento. No fundo, todo mundo acabava se identificando com um trecho ou outro das músicas, já que de certa forma, o (contra)cotidiano era muito parecido.

Como se fosse hoje mais cedo, lembro do primeiro show que fui do Anarkaos. Foi em 2006, no extinto Jazz Bar, no lançamento do segundo disco da banda. Antes disso, eu já tinha ouvido falar (é claro), mas pensava que era algo totalmente diferente, até porque todos citavam a banda como "a banda em que o Paulo professor do Anglo toca". Possivelmente até hoje não teria tanto apreço pela banda, mas não me lembro quem me disse que "eles gostavam muito de Cure". Isso foi a palavra-chave. Eu estava no meu período mais doente-maníaco por Cure, qualquer coisa que tivesse uma ligação mínima com a turma do Robert Smith eu estaria topando! Se não me engano, os ingressos eram gratuitos, distribuídos aonde o guitarrista Adriano trabalhava. Fiz grande parte dos meus amigos irem no show comigo - estavam achando ótimo, éramos/somos todos quebrados e é muito raro ter show em Formiga, principalmente de graça.

E assim fomos nós, uma pequena turminha (um embrião do que hoje chamamos de "turma da praça", ou até mesmo MK Vera) em busca de música boa. Eu, motivado pelo "instinto Cure"; meus amigos para curtir o show mesmo. Sei que quando começou o show  fui reconhecendo alguns membros da banda (como o Branco, e até mesmo o Tucano que fez uma pontinha em uma canção) e vi que não era beeem algo parecido com Cure [exceto o 'Smith' do apelido da Ju]... mas mesmo assim era algo que era muito, muito massa. Foi a mesma sensação que tive quando ouvi T-Rex pela primeira vez: ouvi pensando que seria uma coisa, fiquei surpreso ao ver que não era o que pensava que fosse, e acabei gostando de verdade por achar o que eu estava ouvindo na hora muito bom. Saí de lá elogiando o show até não poder mais, assim como meus amigos que estavam comigo.

Não sei se eu e o Lalinho exageramos demais ao elogiar, mas sei que falamos tanto do show pros outros que no próximo show, já conseguimos arrastar mais gente para ir assistir com a gente . Nesse período de tempo, já tínhamos decorados várias letras (Soul Underground era obrigatória), e de tanta propaganda que fazíamos, a galera ficava todo dia entrando no fotolog (nessa época era fotolog!) da banda esperando o aviso de um show novo. Os Planctons já haviam se tornado algo sério (desde sua aparição na estreia do segundo disco), e essas "duas" bandas definitivamente matavam o tédio de uma certa juventude de uma cidade do interior que não tem nada para fazer a não ser comer ou falar da vida dos outros.

Bom, acho que eu poderia ficar aqui até amanhã  falando sobre os casos que envolvem eu+minha turma e o Anarkaos ( são muitos mesmo, como o show no caminho da roça, o cover do Rage [tinha tirado meu siso dias antes desse show, arrebentei todos os pontos no dia], o Formiga Sônica, aliás, o próprio ato de frequentar o Novo Paladar) , mas em especial eu gostaria de Ressaltar o surgimento do Movimento Kill Vera. Graças ao Anarkaos (e a mãe do PM) , a minha turma de amigos, de fato, começou a existir. O que começou como uma brincadeira acabou virando uma turmona de gente, mesmo. E é claro, o Anarkaos era uma espécie de padrinho pra gente.

Por mais que isso pareça idiota ou infantil, realmente existia o sentimento de identidade. Era só falar que tinha um show da banda, que todo mundo aparecia em Formiga para assistir. Soul Underground ainda é nosso hino, creio que sempre será. Tínhamos (temos, na verdade) um enorme apreço por todos os membros da banda, tanto que todo mundo sabe falar no que e em que tal membro é mais massa. Apesar de todo mundo ter crescido pra caramba nesse tempo, algumas coisas, nem que seja por nostalgia, ainda ficam. Sempre ficam.
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Acabou que eu falei demais aqui, nem comentei sobre o disco e...


O dia que fomos informados que a banda ...é... 'não seria mais a mesma' , soou como se alguém tivesse morrido. O pessoal escutou o CD, que para a gente ficou entendido como um presente de despedida, na sensação de que era o último adeus de algo que marcou tanto o final da nossa adolescência. Sabemos que as coisas vão um pouco mais além, que nem tudo está acabado, mas mesmo assim, foi como se todo mundo sentisse as dores de uma separação. O tom sombrio de algumas músicas, a guitarra ausente em outras, a sonoridade clean (que vai além de somente nome) expressa uma espécie de adeus.

Com todas as pessoas que cheguei a comentar, houve um consenso: o terceiro disco é o melhor álbum da banda. Creio que cada pessoa pode fazer sua própria interpretação sobre as músicas (talvez isso seja a própria intenção de Branco, Warlen, Adriano e Paulo), mas eu fiz pequenas divagações em quase todas as faixas do disco. Ainda não sei definir qual foi a minha faixa favorita (Luto 777 é tão marcante, ao mesmo tempo que o Ministro do Funk dá vontade de arrebentar a rotina de verdade e Opala Capa Preta é tão.... junk town nothing got to keep it coming, hipshake gunning kick start and I'm running, se é que me entende... droga, lembrei do riff principal de Lesgo Lesgo... realmente é difícil), esse disco foi realmente uma obra de arte. Como já disse, somente senti falta de uma guitarra em algumas músicas, e de alguns backvocals da Ju, mas... isso não tira a beleza do disco.


Acho que , no final de tudo, sobrou só agradecer ao Anarkaos - pelo (s) disco (s), pelo carinho que tiveram com a gente durante todo esse tempo, com a paciência por ouvirem "soul underground! soul underground!" em todo santo final de show, por aguentar canseira da gente perguntando quando teria um show novo, pela imaturidade de não aceitarmos as coisas direito sem sabermos dos fatos concretos, por fazer um lugar semi-abandonado virar um "pub" da cidade, por aturar encheção de saco seja ela na rua, na internet , nos shows, por ser um motivo de reunião de amigos ausentes na cidade (inclusive eu), por fazer a nossa vida tão mais feliz nas madrugadas dos sábados em que vocês tocavam.


Fez efeito!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dead Souls - 31 anos sem Curtis

Apesar do sono que me consome, não poderia deixar a data de hoje passar em branco. Hoje "comemoramos" - na verdade, lamentamos, 31 anos da morte de Ian Curtis. Quem não gosta de Joy Division isso não faz a mínima diferença, mas para todos os fãs, assim como quem conhece (e reconhece) a influência de Curtis na música com certeza deve ter retirado um momento do dia para escutar algumas de suas canções.

Quando digo influência na música, nem me refiro tanto ao gótico, ou ao post-punk. Nesses gêneros, várias outras bandas que vieram depois foram até mais marcantes, provavelmente. Mas poucas possuíam letras carregadas da beleza que as de Ian Curtis tinham. O seu tom de voz semi-barítono, as batidas marcantes de bateria sincronizadas com o baixo até hoje fazem que a sonoridade de Joy Division soe como permanente, ecoando pela mente de quem a escuta. A melancolia é tão forte que até quem não entende a letra se sente um pouco tocado.

Mais notável ainda é o fato de a banda se tornar um mito lançando apenas dois álbuns de estúdio, de maneira semi-amadora e sem nenhuma turnê mundial, uma vez que Curtis se suicidou dias antes de iniciarem uma tour pelos EUA, ao som de The Idiot, de Iggy Pop. Até nisso ele conseguiu ser emblemático - The Idiot é um álbum fantástico, e na minha opinião, o melhor de Iggy Pop (melhor até que o Raw Power de seu período Stooges).

O legado de Joy Division não foi algo que morreu junto com Ian. Os outros integrantes da banda se tornaram o New Order, uma das grandes referências da música eletrônica em geral. O post-punk continuou com The Cure, The Fall, Jesus And Mary Chain, dentre outros, que junto ao próprio Joy Division, faziam crescer a corrente musical criada há alguns anos atrás pelo Velvet Underground: o rock "não-mainstream", DIY, o verdadeiro rock alternativo. E para demonstrar que o estilo de Ian continua vivo é só escutar bandas atuais como Interpol, Crystal Stilts e The Killers, que são a prova viva da magnitude da influência de Joy Division na música alternativa.

Pobre Ian. Depressivo, epilético, e ainda foi se envolver com duas mulheres... fico imaginando como seria a cena pós punk caso ele não tenha morrido, o que se tornaria o Joy Division, como seria a banda após ganhar notoriedade mundial ainda em atividade... sinceramente, creio que se Ian não tivesse morrido, com o passar do tempo a sonoridade de Joy Division seria bem próxima dos primeiros discos do New Order (como Power, Corruption and Lies ou Low Life) visto que a tendência era o som se eletronizar cada vez mais - Closer demonstra bem isso. Mas é claro, a simples presença de Curtis tornaria tudo diferente, de modo que o "New Order" soasse bem mais soturno. Por outro lado, será que com Ian vivo Robert Smith  iria compor Primary ? Sua morte significou uma carga simbólica muito grande para o vocalista do The Cure, influenciando na produção do álbum Faith. Enfim, Curtis se tornou quase um 'mártir' para todo o cenário cold wave. Até góticos de carteirinha o idolatram....

[não vou escrever nada sobre Love Will Tear Us Apart, isso deve ter em qualquer outro blog/site/rede social]


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[Falando sobre algo nada a ver....]


Tudo bem que a juventude de hoje está estragada, mas cá entre nós, Detonautas, precisava também estragar Back In Black pra poder dizer isso????

domingo, 1 de maio de 2011

Pato Fu, e sua música nada-de-brinquedo

Começei a escutar Pato Fu de verdade mesmo foi em meados de 2002, quando eu copiei uma em uma fitinha o ao vivo mtv para escutar no meu walkman, e "peguei emprestado" uma fita VHS com o mesmo show. Lembro que na época a música Capetão 66.6 FM era o máximo pra mim (máximo da doideira, máximo da criatividade, máximo de tudo). A partir daí (e depois que ganhei um computador), fui me tornando cada vez mais fã da banda.Claro, por ser apaixonado com animes e mangás, a música Made in Japan era quase um hino. Até hoje consigo cantá-la no embromation.


Desde que mudei para belo horizonte (a terra deles) tinha vontade de ir em um show deles. Até que fiquei sabendo que tocariam no Palácio das Artes, hoje, às 18:00. Ainda não escutei nada do disco novo, só sabia que ele fora gravado com instrumentos infantis, em meio a outros brinquedos maneirinhos. Mesmo arriscando não achar ingresso, fui lá tentar a sorte. Ainda bem: consegui comprar o último ingresso!!!!

Quanto ao show, digamos que superou MUITO as minhas expectativas. Eu fui sabendo que seria algo bacana, mas eu temi que tivesse alguns momentos em que ficasse alguns "espaços" nas músicas, por causa dos instrumentos. Mas foi pelo contrário. Estava tudo muito bem preenchido. A cada música, cada brinquedinho novo utilizado, eu fui ficando mais fascinado pelo show e pela ideia super original de Fernanda Takai e companhia.


Teve um instrumento que o John tocou em uma música que diz ele ser uma espécie de um lápis, que quando você escreve na lousa própria faz um barulho meio sintetizado. O barulho era quase idêntico aos sintetizadores utilizado por Brian Eno em seu período Roxy Music. Queria muito ter um desse, até ele dizer que ficou mais ou menos uns 30 dólares. Melhor esperar um pouquinho.... O show estava repleto de crianças, por motivos óbvios. Além disso, os fantoches do Giramundo também participaram do show, dando o ar da graça. A última música, Bohemian Rhapsody, foi um espetáculo a parte, tanto pelas palhaçadas dos fantoches quanto da banda em si. Fui embora com uma satisfação muito grande, e uma  vontade de assistir mais um show do pato fu (com eles cantando mais músicas deles dessa vez)

Nota para o show: 9,5 / 10

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[enquanto isso, na vitrola...]

O novo disco do Crystal Stilts é fantástico! Admito, não empolguei tanto quanto com o primeiro trabalho deles, mas mesmo assim, eles continuam com aquela atmosfera sombria, se mantendo com o título (dado por mim) de "Dark Surf Musicians" ou "O Negativo de Jesus and Mary Chain". Nesse In Love With Oblivion, não sei porquê, mas senti um certo toque de Arcade Fire também. E sim, gostaria muito de vê-los ao vivo.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Big Audio Dynamite, perspectivas

Existem bandas que eu escutava há 5,6 anos atrás que hoje eu não gosto nem de ouvir falar o nome, de tanta aversão (apesar que na época eu achava o máximo), mas sempre que escuto Big Audio Dynamite, me dá uma certa nostalgia. Lembro direitinho do meu primeiro contato com a banda. Foi em um programa da mtv, que o Edgard apresentava, qual ele estava passando clipes de algumas bandas que haviam se apresentado no Brasil tempos atrás. O clipe foi E=mc².

Como eu estava no auge da empolgação new wave anos 80 (Information Society, Depeche Mode e afins), apaixonei de primeira. Só que eu não consegui ouvir o nome da banda inteira, somente li no finalzinho do clipe a sigla "B.A.D." Isso me rendeu alguns problemas na busca da banda pela internet, já que eu digitava nos sites de busca 'bad e=mc²' e praticamente não encontrava nada. Só depois de muita busca mesmo é que eu fui descobrir que bad era a sigla de big audio dynamite, e logo depois eu descobri que essa era outro projeto do Mick Jones (the clash). E eu ainda só conhecia uma música - além de ter internet discada (e grátis), youtube não tinha nem metade das coisas que tinha hoje.

Após muito custo (e ajuda de amigos com internet banda larga, afinal, em 2005 poucas pessoas tinham isso em Formiga ainda!) consegui várias músicas da banda, conhecendo um pouco mais do que a clássica e=mc², que apesar de tudo, ainda continua como a minha favorita. Escutava quase todo dia, quando enjoava um pouquinho de The Cure. Adoro o clima das músicas, parece que todos os álbuns do B.A.D. foram tirados de trilhas sonoras de filmes da Sessão da Tarde.

Os anos foram passando, e acabei deixando o Big Audio um pouco de lado. [não, I'm not turned out a punk, heh] Só esses dias que eu vi que eles iriam tocar no Coachella que me deu vontade de escutar de novo. E pelo visto eu ainda vejo muita graça neles (LÓGICO, não é nem 1/12 do que é o The Clash, mas é bacana mesmo assim), inclusive fiz esse post ouvindo-os. Creio que seria uma boa pedida uma passagem deles no Brasil, já que esse ano teremos várias atrações no pop 'n rio que são ruins até dentro de seus gêneros, e faltam bons shows. Falando em bons shows, será que o Planeta Terra Festival trará alguma outra atração de grande porte (sem ser os strokes) ?

Ainda acredito em My Bloody Valentine, pelo menos no indie stage.

domingo, 3 de abril de 2011

Além do veludo

Para ser bem sincero, hoje eu estava destinado a fazer um post sobre Restart (criticando, é claro), mas é um assunto já comentado exaustivamente em quase qualquer lugar que se converse sobre música. Por isso, a única coisa que eu digo é que de um modo geral, o Restart dá um exemplo muito bom para todos nós. Eles mostram que até músicas lixo conseguem fazer sucesso, implicando que caso você tenha uma banda, mesmo que seja hiper meia-boca, deve correr atrás! Porque se aquilo consegue ser famoso e arrebatar multidões de fãs, qualquer coisa acima deles tem tudo para ser a nova sensação musical! Não desista!

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Havia um certo tempo que eu não ouvia Joy Division, apesar de ser uma das minhas bandas favoritas. E, despretenciosamente, navegando pela internet, eu achei várias músicas deles no formato FLAC (sem perda de áudio). Foi a chance de matar a saudade da sombria voz de Ian Curtis. A única coisa ruim de tal formato é o seu tamanho (cada música fica em torno de 25mb), mas caso você tenha um espacinho sobrando no pc, compensa ter um ou outro arquivo. Melhor ainda quando é bootleg, em que você fecha os olhos e tem a impressão que está no meio do show.

Na onda do Joy Division, relembrei de algumas coisas que eu escutava muito tempos atrás, como o primeiro disco do Velvet Underground. Não cheguei a re-escutá-lo, mas fiquei motivado a ouvir o Chelsea Girl, de Nico, e Songs For Drella, de Reed e Cale. Agradei muito dos dois, principalmente do ar sombrio (em especial o Songs For Drella - é impressionante reproduzirem tal atmosfera em plenos anos 90!) que os dois álbuns emanam.

Sinceramente, eu sei que Nico não fazia nada dentro do Velvet além de cantar uma ou outra música (isso quando não tocava tamborim), mas a voz dela até que é muito bonita. É um blasé elegante, sem ser essa ridicularidade forçada que esses 'modernetes' ficam tentando ser hoje. Nico sabia ser uma femme fatale.

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No mais, não tenho esperança nenhuma que o Cure vai vir no Brasil em 2011. Essa notícia (falsa) é divulgada desde que eles vieram aqui pela última vez, em 1995, e eu só vou acreditar quando for publicado no site oficial. E como o (chato do) Robert  já disse que só fará um show nesse ano, um show na américa latina só será possível se ele mudar de ideia, o que é semi-impossível.

terça-feira, 29 de março de 2011

Assuntos aleatórios sobre música

Como já disse, não tenho interesse em seguir algum padrão nesse blog à respeito de postagem. Tanto é que hoje vou escrever sobre fatos relacionados à música. Vamos lá:

*Dias atrás eu peguei para ouvir (depois de muito tempo que não faço isso) o meu cd do Killers, do Iron Maiden. Foi uma tristeza só. Não pelo fato do disco ser ruim, porque eu até gosto muito dele (não sou do tipo que "só gosta de Iron depois que o Dickinson entrou"), mas do tanto que ele está arranhado. Fiquei triste demais, Porque eu mesmo tinha muito cuidado com ele (foi um presente do meu pai, sempre tive apreço com o disco), mas esse tal de emprestar discos é um problema...Bom, melhor nem falar nisso mais porque me fez lembrar outras ocasiões que eu dei a mesma burrada.

*Nesse mesmo dia que eu peguei para ouvir o Killers, eu coloquei uma coletânea do Stephen Malkmus (vocalista do Pavement) - presente de um amigo meu, o Daniel - para tocar depois. Meu amigo que mora comigo até comentou na hora que gostou, mas eu pensei seriamente que era pra me agradar. Mas eu vi que eu estava enganado quando ele pediu para tocar de novo. Tá, beleza. Depois, no outro dia, ele pediu para tocar o disco de novo, e ainda pediu emprestado. Após isso, ele escutou ele mais umas 60 vezes. Fiquei mega satisfeito com isso, nunca imaginei que pudesse criar um apreciador! de Stephen Malkmus dentro da minha própria casa!

*É o fim do mundo, só pode. Todo dia surge uma nova banda de sertanejo universitário, com as músicas praticamente idênticas. Nem o punk rock conseguiu tal façanha! A única parte divertida disso é quando você vai conversar com as pessoas e pergunta: "isso aí é Cleiverson e Reverson?" e ela responde: "que isso, isso é coisa do passado já, a moda agora é Filomeno e José Matias!" Mas eu admito que fiquei meio incomodado esses dias no shopping, quando eu falei "pelo amor de Deus" com um amigo meu, e uma pessoa que estava do meu lado murmurou "Jorge e Mateus"...

* Ainda não me senti animado para ir no Rock 'n Rio. Aliás, tem alguns dias do evento que deveriam ser extintos, na moral. Ou então mudem o nome desse evento para Pop 'n Rio! E do jeito que as coisas estão nesse ritmo de "micaretização", não duvido nada que agora mesmo eles começam a distribuir abadás!

* Ia postar alguma coisa aqui mas comecei a ouvir birdland da Patti Smith e me deu vontade de escrever um tanto de coisa que não tem nada a ver aqui e sem vírgulas por sinal essa música é fantástica ela começa a berrar de uma hora pra outra enquanto que no fundo toca uma sinfonia super soturna coisa típica do john cale tá massa aqui e preciso fazer um tanto de coisa até a próxima postagem

sábado, 12 de março de 2011

Músicas que marcaram momentos

Ouvindo aqui o novo disco do The Pains of Being Pure at Heart, comecei a lembrar de um tanto de músicas que marcaram alguns momentos da minha vida. Na verdade, até músicas que eu não gosto mesmo, mas que marcaram de tanto tocar nas rádios, tv, etc (tipo Sandy e Júnior). Acredito que todo mundo tenha músicas que marcaram sua vida de uma maneira ou outra, e nesse post vou dividir algumas que marcaram a minha:


The Beatles - She Said She Said - lembro quando eu tinha 14/15 anos, trabalhava de office boy em um escritório de advocacia, jogava Super Metroid e Zelda nas horas vagas, e a galera se reunia na 'casa de praia' de um amigo para ficarmos escutando Beatles e falando que a banda era o máximo. Engraçado que quase todo mundo que ia lá atualmente não aguenta nem escutar mais Beatles.

Ed Motta - Fora da Lei - sempre que eu escuto essa música, não sei porque, eu lembro de São Paulo. Desde pequeno eu coloquei na minha cabeça que em SP os ricos fazem festas lounge em seus apartamentos triplex, tomando champagne e ouvindo Fora da Lei. Assim, toda vez que eu vou em São Paulo, eu lembro dessa música quando vejo aqueles prédios bonitões.

Nirvana - Come as You Are - eu já era cismado de ficar gravando fitas com as minhas músicas favoritas, mas pude realmente viver um sonho quando em 2002 eu ganhei meu primeiro walkman. Sei que o negócio era mega ultrapassado, mas pra mim ainda era o máximo. Passear pela rua ouvindo Nirvana, falando alto sem  perceber devido aos fones de ouvido, gastar todo o dinheiro em pilhas....

Dinosaur Jr - Over It - Essa é até mais recente, mas marcou bem o finalzinho do ano passado, por causa do Planeta Terra Festival. Ela já estava na minha cabeça, e ainda tocou no ônibus da excursão. Acho que ela marcou muito o lance da diversão com velhos amigos e outras bagunças que a gente arrumou no Playcenter.


T. Rex - Metal Guru - Eu ralando no cursinho, no início de stress, e lembro que li algo sobre o Kid Vinil dizer que Marc Bolan era um de seus heróis. Eu tinha uma ideia totalmente diferente de T.Rex, pensava que era outro tipo de som. Quando ouvi, pensei: "isso não tem nada a ver com o que eu pensava que fosse...mas mesmo assim é muito bom!" E nunca mais parei de ouvir.

Legião Urbana - Faroeste Caboclo - Essa marcou muito meus 10 anos. Nessa idade, eu tinha uma espécie de "ritual", em que eu acordava, tomava café, e ia tocar violão, todos os dias. Sempre, SEMPRE, a música inicial era Faroeste Caboclo. Eu achava o máximo saber cantar tudo aquilo de cor (porque quase todo mundo só sabe a parte que fala os palavrões). Pra ser sincero, até hoje, quando eu vejo que algo vai demorar 10 minutos, eu começo a cantar faroeste caboclo pro tempo passar mais rápido.

Eu poderia escrever várias outras, até porque eu sou o tipo de pessoa que costumo marcar momentos com músicas, mas eu ficaria aqui o resto do dia escrevendo sobre isso. Além disso, teria o risco de eu confundir tudo e começar a escrever sobre as músicas que eu mais gosto.

Estou com tanta fome que esse momento agora poderia ser marcado por qualquer música infantil sobre comida.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Músicas novas e em bom estado de conservação

Não vou negar que tenho uma certa aversão por bandas mais recentes. Não que seja síndrome de underground (pelo contrário, odeio isso), mas é que o som dessas bandas novas soa muito parecido. Porém, uma vez na vida, outra na morte, surgem algumas bandas que conseguem fazer o diferencial. Ainda bem, né. Pena que isso não aconteça muito no Brasil, onde todos nós sofremos com os efeitos do rock frutinha colorido.

Assim, nessa última semana peguei vários álbuns que frequentemente sou recomendado a escutar, além de alguns lançamentos de bandas que eu já gostava. Começando pelo último que eu ouvi, do J Mascis - Several Shades of Why. (Pra ser mais sincero, eu estava escutando ele agorinha mesmo). É um disco mais calmo, praticamente voz e violão, com alguns arranjos maneiros. É interessante ver o contraste que Mascis faz nesse álbum solo em relação ao Dinosaur Jr (barulheira pura), e mostra que ele consegue ser bom em qualquer instrumento de corda que colocarem na sua mão. É o tipo de álbum que dá pra ouvir em qualquer lugar, tranquilo, com a voz meio rouca e desafinada de Mascis soando como um choro de sua alma. (ou mais ou menos isso, é um desafinado afinado, sabe?)

Agradei bastante do The King Of Limbs (Radiohead) também. Esse novo trabalho (que ainda não foi lançado na forma física) ficou um pouco menos "viajado"do que o seu antecessor In Rainbows, com uma batida mais clean e pegada mais forte. Achei também o seu tamanho ideal (38min aproximadamente), o que não torna o som enjoativo - dá até vontade de escutar duas vezes seguidas. Para promoverem o disco, produziram também o clipe de Lotus Flower (uma das faixas de destaque), em que Yorke faz uma sessão de dance hiper-divertida - o que não exclui sua bizarrice.

(Concordo também que as danças de Ian Curtis eram bizarras, ok)

Sobre o novo do White Lies, preciso escutar mais para digerí-lo melhor. Sites como o All Music Guide até cotaram-no como melhor que o primeiro, mas eu achei ambos muito parecidos, uma espécie de "cópia de fórmula". Vou escutá-lo outras vezes para fazer uma avaliação mais decente.

Escutei também todos os discos do aclamado Arcade Fire. Adorei a bandinha. O único problema é que os discos foram caindo a qualidade das músicas em progressão aritmética (menos mal, poderia ser geométrica). O disco Funeral certamente será considerado um clássico daqui a alguns anos, realmente muito bom mesmo, digno de destaque. Nesse álbum, Arcade Fire conseguiu mostrar que no 'indie' rock dos anos 00 existem bandas que salvam (eu sei que existem VÁRIAS, mas é que todo dia aparece uma nova que faz o mesmo estilo de som em todas as músicas, ou apelam para o visual). Neon Bible também é muito bom, mas como eu disse, ele e o mais recente Suburbs já não conseguem ser tão bons quanto o primeiro. De qualquer jeito, ainda são superiores à média do gênero.

No mais, me apresentaram uma banda russa que se chama Motorama, que pelo visto é desconhecida, embora tenha alguns vídeos no youtube. Remete bem ao Joy Division, aquele vocal soturno, e etéreo. Escutei muito pouco também, mas é uma boa banda. O ruim de escutar bandas com influências muito claras é que te dá um certo desânimo, já que você pode escutar a fonte original de uma vez, sabe. [Isso acontece muito comigo, principalmente quando me mostram um shoegaze que tenta copiar à risca o Loveless, do MBV] De qualquer maneira, vale dar uma conferida.

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É isso aí, por enquanto.